APELO EM DEFESA DA VIDA: É hora de parar Santa Catarina! O lucro não pode estar acima da vida!

Cerca de 130 entidades sindicais, movimentos sociais e organizações de Santa Catarina publicaram um manifesto de apelo em defesa da vida ao governador Moisés, prefeitos do estado e organizações públicas. O documento é um pedido de socorro das entidades no momento em que o estado vive o colapso na saúde em todas as regiões – com mais de 95% dos leitos de UTIs ocupados e com a média de mortes diárias por Covid crescendo a cada dia – sem medidas eficazes das autoridades públicas, que se curvam ao poder das entidades empresariais. 

O Movimento Ponta do Coral 100% Pública assina o documento. Em Maio do Ano passado já nos manifestamos publicamente sobre o assunto. Agora vemos a mesma atitude genocida dos governantes se repetir, mas em uma situação bem mais grave em nosso estado e no país como um todo.

Você também pode apoiar o apelo em defesa da vida assinando o manifesto virtualmente neste link: http://chng.it/kp4nT2DjGr

É possível também baixar uma versão em PDF.

Leia o manifesto completo: 

APELO EM DEFESA DA VIDA – É hora de parar Santa Catarina! O lucro não pode estar acima da vida!

Santa Catarina está vivendo o momento mais grave da pandemia da Covid 19. Os hospitais estão lotados, com pacientes entubados em emergências e nos corredores. Tem pessoas morrendo em casa por falta de vagas nos hospitais. Os números oficiais estão amenizando a gravidade da situação.

As autoridades públicas (governador e prefeitos) estão sob o domínio dos interesses empresariais, atuando para salvar o lucro dos ricos em detrimento da vida da classe trabalhadora e do povo pobre.

É aterradora a situação nos hospitais, com profissionais da saúde no limite da resistência física e psicológica, já tendo que decidir quem vai pra UTI e quem fica na maca, quem morre agora ou daqui a pouco.

Não demora e teremos pessoas morrendo na rua, nas calçadas, sem conseguir acesso aos hospitais.

O Governo do Estado e os prefeitos estão sendo coniventes com a tragédia que se instala a olhos vistos. Seus decretos não passam de faz de conta, com medidas inócuas para enganar a população, seguindo o negacionista de Brasília e seu rastro de mais de 250 mil mortes.

Ao invés de “salvar a economia”, esta postura vai levar Santa Catarina à pior crise de sua história, inclusive do ponto de vista econômico.

Passou da hora de parar tudo, deixando apenas os serviços essenciais em funcionamento, ou a tragédia vai crescer ainda mais. Urge a retomada consistente da fiscalização das medidas sanitárias, e com certeza a aquisição de vacinas pelo estado.

É em meio a esse caos que o atual secretário de educação, empossado para rearranjar a política aos velhos moldes MDBistas, anuncia o retorno presencial, resultado do lobby que culminou na ALESC aprovando, em dezembro último, a educação como atividade essencial ENQUANTO DURAR A PANDEMIA. É assim que chancelaram, para 2021, este retorno caótico e marcado pelo medo da morte. Há um acordo, e não é para salvar a economia nem a nós.

As entidades, movimentos e organizações políticas que abaixo subscrevem defendem:

– Imediato fechamento das escolas, com reabertura apenas após a vacinação massiva da população;

– Fechamento do comércio de produtos não essenciais;

– Suspensão do transporte coletivo, deixando apenas o necessário pra viabilizar os serviços essenciais;

– Proibição de qualquer evento social com a presença de público;

– Maior suporte logístico aos hospitais e serviços de saúde;

– Fechamento de praias e parques;

– Testagem em massa para toda a população;

– Contratação de mais profissionais de saúde e maior proteção à sua atividade laboral;

– Retomada do auxílio emergencial de pelo menos 600 reais até o fim da pandemia.

– aquisição de vacinas por parte do governo do estado.

É hora de parar Santa Catarina! O lucro não pode estar acima da vida!

Santa Catarina, 25 de fevereiro de 2021.

Assinam:

ASSINAM:
Centrais Sindicais:
Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil – CTB
Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB/SC
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Central Sindical e Popular Conlutas – CSP CONLUTAS/SC
Intersindical Central da Classe Trabalhadora
União Geral dos Trabalhadores – UGT
Federações:
FECESC – Federação dos Trabalhadores no Comércio de
SC
FENACONTAS – Federação Nacional dos Servidores dos
Tribunais de Contas
FENAMP – Federação Nacional dos Servidores dos
Ministérios Públicos Estaduais
FETESSESC – Federação dos Trabalhadores da Saúde de
SC
FETRAM/SC – Federação dos Trabalhadores Municipais de
SC
FETRAF/SC – Federação dos Trabalhadores da Agricultura
Familiar de SC
FETRAFI/SC – Federação dos Trabalhadores em
Instituições Financeiras de SC
INTERSUL – Intersindical dos Eletricitários do Sul do
Brasil
Sindicatos:
ANDES – Regional Sul
APRUDESC
ASSIBGE-SC
SEC Caçador
SEC Floripa
SEC Xanxerê
SEEBC Criciuma
SEEF
SIMPE/SC
SINASEFE Seção Sindical IFSC
SINDASPI/SC
SINDCAESC
SINDFAR/SC
SINDICONTAS/SC
SINDPD/SC
SINDPREVS/SC
SINDSAÚDE/SC
SINDSAÚDE Caçador e Região
SINDISAÚDE Criciúma e Região
SINDSAÚDE Joinville e Região
SINDSAÚDE Mafra e Região
SINDSAÚDE Tubarão e Região
SINDSERPI Içara
SINDSERV Lages
SINJUSC
SINPROESC
SINPRONORTE/SC
SinPsi/SC
SINSERF Forquilhinha e Região
SINTAEMA/SC
SINTE/SC
SINTE Regional Caçador
SINTE Regional Criciúma
SINTE Regional Florianópolis
SINTE Regional Joinville
SINTE Regional São José
SINTECT/SC
SINTESPE
SINTRAFESC
SINTRAFI Florianópolis
SINTRAM São José
SINTRASEB Blumenau
SINTUDESC
SINTUFSC
SINVAC Criciúma
SISERP Criciúma
STESSLA Lages
STICVASSR Sombrio e RegiãoPartidos:
Coletivo PSOL interior
PCB
PCdoB Florianópolis
PSOL Abelardo Luz
PSOL Araranguá
PSOL Balneário Camboriú
PSOL Blumenau
PSOL Biguaçu
PSOL Bombinhas
PSOL Brusque
PSOL Caçador
PSOL Chapecó
PSOL Curitibanos
PSOL Florianópolis
PSOL Itajaí
PSOL Lages
PSOL Jaraguá do Sul
PSOL Joinville
PSOL Navegantes
PSOL Palhoça
PSOL São José
PSOL São Miguel do Oeste
PSOL/SC
PSTU
PT/SC
PT Florianópolis
PT Palhoça
UP / SC
Organizações políticas:
Brigadas Populares
Esquerda Marxista
MES/PSOL
Polo Comunista Luiz Carlos Prestes
Resistência/PSOL
Unidade Comunista Brasileira – UCB
Unidade Popular e Sindical – UPS
Unidade Classista – UC
Juventudes:
Coletivo Alicerce
Juventude Comunista Avançando – JCA
Juventude Manifesta/SC
Levante Popular da Juventude/SC
Rebeldia – Juventude da Revolução Brasileira
União da Juventude Comunista – UJC
Movimentos:
8M
Africatarina
APG – UFSC
Associação Cultural José Martí/SC
BR Cidades SC
Brigada Gina Couto da Via Campesina – Florianópolis/SC
Casa América Latina/SC
Coletivo #AnulaSTF
Comitê Lula Livre Santa Catarina
Comitê Popular Solidário de Joinville
Conselho Indigenista Missionário – CIMI / Regional Sul
Cooperativa Comunicacional Sul – Portal Desacato
DCE UFFS de Chapecó
FEPE/SC – Fórum Estadual Popular de Educação
Fórum Catarinense em Defesa do SUS e contra as
privatizações
Fórum da Cidade
Fórum de Mulheres do Mercosul Capítulo Brasil Seção
Lages – FMM
Fórum Estadual dos Trabalhadores da Assistência Social
(FMTSUAS-SC)
Fórum Municipal dos Trabalhadores da Assistência Social
de Lages (FMTSUA-Lages)
Fórum Municipal dos Trabalhadores da Assistência Social
de Palhoça (FMTSUAS-Palhoça)
Instituto Gentes de Direitos – IGENTES
Laboratório de Mobilidade, Trabalho e
Movimentos Sociais – LABTRAMS – UDESC
Marcha Mundial das mulheres
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC SC
Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB SC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA SC
Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST SC
Movimento Mulheres em Luta
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH SC
Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM
Movimento Policiais Antifascismo SC
Movimento Ponta do Coral 100% Pública
Movimento Sinte Pela Base
Mudiá Coletiva Lésbica Floripa
Núcleo do Fórum de mudanças climáticas e justiça
socioambiental de SC
Pastoral da Juventude Rural SC
Pastoral da Juventude no Meio Popular SC
PET Geografia UDESC
Portal Catarinas
Tenda Lula Livre
UBM Amures – União Brasileira de Mulheres pela Região
da Amures/SC
Vereador Afrânio Boppré – Florianópolis
Via Campesina/SC

Pacotaço de Maldades do Gean: A patrola dos ricos esmaga direitos e pilha o bem comum do povo de Florianópolis

O prefeito Gean Loureiro (DEM) enviou à Câmara um “Pacotaço de Maldades” durante o recesso, em regime de urgência. Neste pacote, verdadeiro presente de grego para a cidade, está incluído o corte de direitos de trabalhadoras e trabalhadores da Prefeitura Municipal de Florianópolis, terceirização das atividades da Comcap, que leva à privatização, alteração no Plano Diretor, venda de terrenos públicos e inclusão de entidades empresariais no Conselho Municipal de Educação, além da mudança no seu formato, onde perde o caráter deliberativo.

No dia 18/01, por 14 votos a 8, a base de apoio de Gean na Câmara rejeitou o requerimento da Bancada da Frente Popular (Afrânio – PSOL, Coletiva Bem Viver – PSOL, Marquito – PSOL, Carla Ayres – PT) para suspender a convocação extraordinária do prefeito e aprovou a tramitação do pacotaço, em regime de urgência. No dia 21/01, a presidência da Câmara encerrou a reunião da Comissão Especial sobre o assunto, em apenas 3 minutos, passando por cima de qualquer discussão. A votação já está marcada para amanhã, dia 26/01 às 9 horas. Horário desmobilizador, que impede a participação dos e das trabalhadoras.

Em plena pandemia e durante o recesso, a base de apoio de Gean está louca para mostrar serviço. A história nos ensina que, quando os políticos da direita trabalham pra valer, é para satisfazer os desejos dos que se arrogam donos da cidade: a classe dominante, os de cima, especialmente aqueles que financiaram suas campanhas. Não é a toa que suas entidades de classe, como a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a ACIF (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) logo divulgaram notas em apoio. Bem como a ONG chapa-branca dos interesses empresariais Floripa Amanhã e os já tradicionais jornalistas vendidos da grande mídia (NSC e NDMais, a segunda em destaque).

O projeto ataca a vida da gente em diferentes níveis: trabalho, moradia, coleta de resíduos, educação e direito à cidade. Em termos de direito à cidade, tema que mais dialoga com a história do nosso Movimento, o retrocesso é brutal. Começa pela venda de 54 imóveis do município, que totalizam 39 mil metros quadrados, localizados principalmente nas valorizadas praias do norte da Ilha, com terrenos estimados pela Prefeitura em R$ 5 milhões. Esta verdadeira pilhagem visa tirá-los do povo e entregá-los para mãos privadas estes espaços, que poderiam se tornar áreas verdes de lazer, hortas urbanas, praças, parques, espaços de socialização e instalação de infraestrutura pública para tod@s.

Já as alterações no Plano Diretor trazem o engodo de sempre, prometendo mais empregos em troca de mais facilidades para construir, removendo “burrocracias” (na visão do prefeito) e combatendo o “crescimento desordenado”, facilitando a demolição de obras irregulares, principalmente as de baixa renda, aquelas completamente abandonadas pelo prefeito da maldade e que tem sofrido com despejos ilegais e violentos nas ocupações dos que lutam por moradia. As grandes empresas de construção civil e a especulação imobiliária, aliadas do prefeito, desde o primeiro mandato, brilham os olhos com estas mudanças de legislação e com a venda dos terrenos públicos em áreas nobres, ampliando sua área de atuação.

Se hoje os habitantes de Florianópolis sofrem com a intensa chuva, é também por causa da  falida visão de “progresso” propagandeada ao longo de tantos anos e gestões de direita. Toneladas de concreto, “asfaltaço” sem sistemas de drenagem e cobrindo bueiros, onde se gastou mais de 300 milhões, e com construções em cima de áreas de preservação ambiental e a ausência de saneamento básico. É esta política urbana imposta por uma “burrocracia” nada democrática a responsável pelo caos em que vivemos hoje, a mesma que querem impor nos emblemáticos projetos de hotel na Ponta do Coral ou da Megalo-Marina na Beira Mar

A especulação imobiliária, combinada à ausência total de políticas públicas para habitação, faz com que as pessoas se sujeitem a residir precariamente em morros e áreas de risco, o que invariavelmente levam a mortes, como a de uma mãe, Ana Cristina Martins Lopes e sua filha Letícia Lopes Machado, vítimas de um deslizamento de terra no Morro do Caju, no bairro Saco Grande. Este é o povo que é julgado e condenado pelos veículos de mídia da cidade em seus editorais sobre “crescimento desordenado”, sem nunca citar os grandes empresários e políticos que planejam a cidade para interesse próprio.

A patrola do Gean e seus asseclas, comandada pelo pelos magnatas, só poderá ser detida pela organização e a mobilização popular permanente. É por isto que declaramos nosso apoio aos trabalhadores e trabalhadoras da Comcap que, há 45 anos, zelam para que a cidade continue limpa e bem cuidada e que, agora, resistem bravamente em uma greve contra o pacotaço, assim como o Movimento de Luta pela Moradia, que tem resistido bravamente, fazendo mobilização de rua inclusive durante a pandemia.

Devemos apoiar estas lutas de diferentes formas, construindo o poder popular para resistir à destruição de nossos direitos. Assim, passaremos a fazer valer nossas pautas, para que o velho grito de guerra “ilha da magia, ela é do povo, não é da burguesia” seja real.

Pelo Direito à Cidade e justiça social com equidade!

Abaixo, algumas referências, que ajudaram a embasar este texto, para entendermos o que está em jogo nos diversos níveis:

Ponta do Coral, 40 primaveras de resistência popular


A Ponta do Coral é o cenário de uma intensa disputa desde os anos 80, quando ainda na ditadura foi vendida de forma ilegal pelo então governador e oligarca Jorge Konder Bornhausen, após um incêndio criminoso no abrigo de menores que ali existia. Desde então, grupos de cidadãos, estudantes, artistas e ativistas das causas sociais e ambientais contestam a venda da área, opondo-se à privatização deste espaço público e à destruição da fauna, flora e história da região.

Mais do que a disputa por um oásis em meio a um deserto de concreto, os imaginários sobre a Ponta do Coral projetam visões distintas de cidade e de mundo. De um lado, a Florianópolis cidade a venda, abarrotada de carros, com suas moedas e, agora, mecanismos verdes, shoppings construídos sobre manguezais, esgoto no mar, beach clubes na restinga e a Lagoa do Peri secando. Vendem este sonho na mídia comprada, transmitindo a promessa de um “progresso” que irá gerar empregos, enquanto tornam ainda mais milionários aqueles que lucram com a especulação imobiliária. Homens brancos que projetam uma Floripa desumanizada, um misto de Dubai com Balneário Camboriú, onde ricos ou endividados poderão usufruir de paraísos particulares de vidros espelhados em áreas públicas, sem que precisem se misturar com a “gentalha”, que é como eles classificam os pobres.

Da luta pela Ponta do Coral ecoam as vozes que demandam uma cidade aberta e plural, com parques públicos para que tod@s possam usufruir de suas belezas naturais, dos piqueniques em família e amig@s, das dezenas de atividades artísticas, coletivas e voluntárias para conquistar os parques e praças desta cidade, das rodas de conversa e de capoeira, das lembranças do bar do Seo Chico, no Campeche, das lutas por um plano diretor participativo, da inclusão das colônias de pescadores e das comunidades dos morros e quilombolas, como atores ativos na construção de uma sociedade mais justa, democrática, fraterna e igualitária.

Em novembro, agora, celebramos 40 primaveras de luta para devolver a Ponta do Coral ao povo. Durante estas quatro décadas, a resistência coletiva barrou a construção de qualquer empreendimento privado na região, atravessando diferentes conjunturas e gerações. Houve o surgimento do Movimento Ponta do Coral 100% Pública e a proposta de criação do Parque Cultural das 3 Pontas, abrangendo a Ponta do Coral, a Ponta do Goulart e a Ponta do Lessa, preservando o meio ambiente e incentivando a cultura e a economia local. Proposta que hoje conta com o apoio de diversos movimentos sociais, entidades de classe, organizações políticas e da Universidade Federal de Santa Catarina, que, em 2016, declarou interesse técnico e científico na área e apoia oficialmente a criação do parque.

Foram anos de muito acúmulo, que serviram para enriquecer as experiências de cada pessoa que ajudou a construir o Movimento e a tecer as redes em que nos apoiamos até hoje. Mas, apesar de algumas vitórias, o fato é que a criação do Parque Cultural das 3 Pontas ainda não saiu do papel. O atual Prefeito Gean Loureiro (DEM) nunca ouviu o movimento e ainda fez avançar o projeto da faraônica “Megalo-Marina”, que, se concretizado, terá imenso impacto negativo na questão ambiental, paisagística, social e simbólica na cidade. Temos uma chance de alterar esta conjuntura nas eleições municipais, escolhendo candidatas e candidatos comprometid@s com a criação do Parque, mas nem por isto devemos baixar a guarda e a pressão popular precisa continuar para que o poder público torne realidade a criação do Parque Cultural, independentemente de quem segure a caneta.

Em tempos de pandemia de Covid-19, temos consciência de que, infelizmente, não é possível nos reunirmos na Ponta e fazermos uma grande festa, com música e atividades culturais, como na última celebração dos 35 anos em 2015, na Novembrada Cultural em 2017 ou outras tantas ocupações festivas e humanizantes. É por isto que convidamos cada apoiador(a) da causa a ocupar as redes, compartilhando memórias em formato de fotos, textos, vídeos, músicas e o que mais sua criatividade permitir. Durante este mês, basta utilizar a etiqueta #40anosPelaPontaDoCoral que iremos compartilhar em nossos meios.


Fortalecer nossos laços e memória coletiva é a forma que encontramos de comemorar esta história de 40 anos, mostrando para as pessoas próximas que a luta vale a pena e que, enquanto houver primavera, haverá poesia.

Movimento Ponta do Coral 100% Pública

[Ecoando Sustentabilidade] Marina na Beira Mar Norte: Impactos ambientais (18/09)

“Para iniciar um ciclo de discussão sobre a construção de uma megamarina na Beira Mar norte de Florianópolis, estaremos recebendo a Professora Juliana Leonel e a Bióloga Larissa Dalpaz, ambas atuando na região e na Universidade Federal de Santa Catarina. Nas discussões serão debatidos os potenciais impactos ambientais do empreendimento e eventuais desdobramentos sociais e econômicos, tendo como perspectiva central a necessária sustentabilidade para um processo de gestão costeira justo e resiliente. O ecoando traz para o debate questões ambientais, sociais, econômicas e políticas para promover o pensar necessário para o enfrentamento da crise atual de nossa civilização. Somos uma sociedade insustentável, consumimos em média o recurso de 1,6 planetas e deixamos um rastro de poluição e degradação. É isso que queremos? Agir localmente é necessário, planejar o aqui, para melhorar o todo. “

Mais informações no link para o vídeo do debate, promovido pelo canal ecoando sustentabilidade.

[Portal Desacato] Marina, Parque Cultural ou que projeto é mais importante para a Florianópolis? (03/09)

Na quinta-feira (3/9) o TCE autorizou a construção do Parque Urbano Marina Beira-Mar Norte, um projeto de concessão à iniciativa privada que abrange uma área total de 400 mil m². Sobre as consequências ambientais, econômicas e sociais de tal construção conversamos hoje com Suzana Luz Cardoso do Movimento Ponta do Coral 100% Pública e o biólogo Paulo Horta e a oceanógrafa Alessandra Larissa Fonseca do canal Ecoando Sustentabilidade.

Movimento participa de conversa sobre áreas verdes de lazer nesta sexta

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Amanhã, 03/07 às 19h participaremos de uma conversa no canal “Ecoando Sustentabilidade” sobre a importância das áreas verdes de lazer para a sustentabilidade das cidades. Participe!

Link do canal: https://www.youtube.com/channel/UCvtpAErcOsvgGs7BbVj0VaA

Sobre o canal: No momento que o mundo para em função de uma pandemia do SARS-CoV-2, no outono de 2020, podemos refletir sobre os modelos de desenvolvimento que a humanidade tem seguido, sobre suas causas e consequências. Vislumbramos que ecossistemas diversos em nosso país, e no mundo, parecem estar no limiar de seu funcionamento, e necessitam de ações urgentes que culminem na síntese e divulgação de conhecimento, para que possamos estimular um desenvolvimento com avanço do bem estar social com responsabilidade ambiental. Pensando nisso um grupo UFSC, com parceiros presentes em todo o mundo, estará utilizando as plataformas de mídia da internet, fundamentalmente o Youtube, Facebook e Instagran, para divulgar problema socio-ambientais diversos, discutindo suas causas consequências e possíveis soluções. Vamos construir um futuro melhor, fazer viver a esperança que a humanidade pode mais. Juntem-e nessa corrente com ciência e pela ciência!

Shoppings Abertos e Parques Fechados em SC, em meio à Pandemia de Covid-19 e do Capitalismo de Desastre

Em tempos de pandemia do Covid-19, as atitudes do governo de SC chamam a atenção de todo o país, na contramão do que tem sido recomendado por profissionais da saúde e pela própria Organização Mundial da Saúde. Nas primeiras 3 semanas da pandemia, o governo até que começou bem, com medidas que visavam fortalecer o isolamento social em todo estado. Mas no início de abril, após forte pressão de entidades empresariais organizadas em torno do “movimento Reage SC” e do discurso negacionista da “gripezinha” do excelentíssimo genocida Presidente da República,  o governador Moisés  decidiu por afrouxar as medidas de isolamento social. Os critérios científicos e de saúde pública para preservar as vidas humanas foram ignorados pelo governador para atender os interesses empresariais e a base eleitoral bolsonarista que o ajudou a se eleger, sendo a construção civil um dos primeiros setores a serem beneficiados.

Seguindo os passos do Exmo Messias, embora a relação entre criatura e criador já não seja das melhores, Moisés foi, paulatinamente, afrouxando as medidas de isolamento, e, finalmente, liberando a atuação de Shopping Centers no dia 22 de abril. Shopping Centers que protagonizaram notícias de horrores que viralizaram por todo o país. A primeira notícia foi a chantagem feita por um empresário do ramo, em Balneário Camboríu, que pedia a liberação para a atuação do setor em troca da compra de respiradores que seriam doados ao Estado. Empresário da mesma cidade de imponentes arranha-céus, onde foram registradas as primeiras “carreatas” de carros importados, pilotados por aqueles que pressionavam pela abertura de seus negócios. E, por fim, a cena bizarra da contratação de um saxofonista para “alegrar” a reabertura de um shopping na cidade de Blumenau, em um sinal de volta para a “normalidade”. Nessa festividade, estava clara a aglomeração de pessoas sem os cuidados indicados para a pandemia, o que levou às manchetes a explosão de casos de Covid-19 na cidade, nos dias seguintes. Destaca-se que devido as características desses espaços de consumo, com ambientes fechados e de pouca ventilação e renovação de ar, os shoppings são considerados uns dos ambientes de maior risco de contágio viral.

 

Reabertura de Shopping em Blumenau

O decreto atual atual do governador mantem parques e praias “fechadas” até o dia 31 de Maio. Quem sabe é mais difícil de controlar o acesso a parques e praias do que ambientes fechados e vigiados por segurança privada, mas, para além do aspecto puramente prático, que poderia muito bem ser contestado, nos cabe olhar para a dimensão econômica e simbólica desta decisão. Estes imensos templos do consumo oferecem a segurança e os espaços de lazer que muitas pessoas perderam em seus bairros, enquanto que para as classes mais altas, fornece o distanciamento e proteção de uma grande redoma com uma estética pasteurizada e vigilância permanente. Afinal,“Nessa cidade recriada entre paredes, fica de fora o que não agrada nos grandes centros – não se vê pobreza, gente sem teto e passando fome, por exemplo”. No plano econômico, os proprietários de shoppings são normalmente grandes grupos de investidores, alguns fazem parte de redes multinacionais e construtoras. Portanto, não é a toa que esse segmento exerce pesada pressão junto aos governos, com promessas de geração de emprego e renda e recolhimento de impostos. Pouco importa se no meio do caminho da construção de um Shopping será necessário engolir dezenas de comércios populares com estética e cultura próprias e até residências, ou investir dinheiro público para ampliar vias e redes de esgoto para suportar a ampliação no fluxo de pessoas e carros, ou mesmo comprar licenças ambientais para construir sobre o mangue, como vimos acontecer em nossa cidade na operação Moeda Verde.

Em contraponto, os parques urbanos e praças são espaços públicos, refúgios de natureza e convívio necessários, em meio a tudo que temos vivido com a pandemia, e trazem inúmeros benefícios físicos, psicológicos e mentais à saúde da população, bem como promovem uma outra sociabilidade que não aquela do consumo individualista e da exposição de marcas. Para o sociólogo e urbanista Robert Park “a vizinhança é uma das formas mais estreitas de sociabilidade. É nela que podem se firmar sentimentos de amizade, de solidariedade, de lazer. Os parques e praças são promotores dessa sociabilidade ao permitir os encontros entre vizinhos, mesmo que desconhecidos. Ali, as crianças se unem para o futebol, negociam a ordem de quem desce primeiro no escorregador e, mesmo pequenas, acabam constituindo suas relações de vizinhança e diversas possibilidades de encontros mais próximos”. Abrir os shoppings e manter os parques fechados nos dá uma boa noção das prioridades deste governo, que encara cidadãos como dóceis consumidores em cidades cada vez mais entulhadas de aço e concreto.

Já o prefeito da capital, Gean Loureiro, se diferencia do governador apenas na qualidade da encenação, mais talentosa para disputar as eleições. No início da pandemia recomendou o isolamento e proibiu a abertura do comércio, mas depois cedeu para flexibilizar a quarentena e satisfazer a vontade do empresariado. Pouco fez para implementar políticas públicas de combate ao Covid19 junto à população mais vulnerável, como moradores de ocupações, comunidades, povos tradicionais, pessoas com deficiências, pacientes do Caps, e mulheres em situação de risco. Vale lembrar, que este mesmo prefeito e sua bancada na Câmara de Vereadores aprovou há alguns dias mais um empréstimo de 100 milhões para serem empregados, em sua maior parte, em asfalto.  Nenhum centavo em obras de redes de esgoto, compras de caixa d’água ou construção de banheiros emergenciais nas periferias.
Realçamos que este texto não é um pedido para a reabertura dos parques e praias, pois defendemos as medidas de isolamento social, conscientes de que esta é uma das medidas urgentes para diminuir o contágio pela Covid-19, evitando a sobrecarga do sistema de saúde e a morte agonizante da população. Também temos consciência que o isolamento social não é a única medida que deve ser tomada. Por conta da desigualdade histórica em nosso país precisamos de medidas urgentes, tais como a implantação de renda mínima universal e a derrubada da PEC da morte (EC95), para que o investimento público possa ser retomado, para que haja a reversão das políticas neoliberais e a ampliação e fortalecimento do SUS. A crise exige repensar o nosso modo de consumo, desacelerar a exploração (ambiental e social) e promover maior solidariedade entre os povos. Outras pandemias já estão sendo previstas, se não mudarmos drasticamente o modus operandi da nossa civilização nesse planeta, que possui “recursos” finitos para um
sistema econômico capitalista que pressupõe crescimento infinito.

“Colonialismo é uma praga — o capitalismo é uma pandemia”. Este pôster em língua espanhola aparece aqui com um manifesto anti-futurista indígena sobre a pandemia.

Por fim, acreditamos que é urgente pressionar os governos para que revejam as medidas de afrouxamento do isolamento social e priorizem a saúde pública nesse momento de pandemia. Além disto, podemos nos empenhar individualmente para não aumentar ainda mais as transmissões (quem puder, #ficaemcasa!) bem como nos dedicarmos um pouco aos debates sobre o que está ocorrendo, refletir e conversar com familiares sobre o assunto. Em paralelo, podemos pensar em novas formas para (res)existir, seja participando de movimentos, coletivos, sindicatos, organizações políticas, associações, ou mesmo entre grupos de amigas e vizinhos. Fortalecer os laços de solidariedade e apoio mútuo nesse momento também se faz necessário. Por isto, passaremos a fazer uma campanha de divulgação dos debates e iniciativas que vem surgindo. Por fim, não podemos fechar os olhos para compreender de forma sistêmica que tudo isso que tem ocorrido é agravado pelo modelo capitalista vigente, que vê as pessoas como números, relegando ao abandono os “de baixo” e priorizando CNPJs ao invés de vidas. À beira do colapso, voltar a imaginar outros mundos possíveis hoje é mais do que um sonho, é uma necessidade.

Movimento Ponta do Coral 100% Pública

 

 

Comunicado de adiamento do Piquenique do dia 23 de Março

Diante da situação de saúde pública causada pela pandemia do vírus Covid-19, e buscando fazer a nossa parte nas medidas preventivas indicadas por profissionais da saúde, estamos adiando o piquenique que estávamos organizando para o dia 23/03 na Ponta do Coral, e suspendendo a campanha de ocupação.

Convidamos a tod@s para que façamos a nossa parte cumprindo com as medidas de higiene indicadas pela Organização Mundial de Saúde, buscando evitar aglomerações e sair de casa até que à situação se normalize.

Também fazemos um convite para que sejamos solidários com o próximo. Embora seja necessário um afastamento físico entre as pessoas, precisaremos ficar atentas ao cenário que nos cerca, bem como refletir sobre a importância de um sistema de saúde público, universal e gratuito como o SUS, e as as limitações que o sistema capitalista impõe para tantas trabalhadoras e trabalhadores em situações como as que se apresentam, incluindo aqueles precarizados que não tem carteira assinada, ou quem não tem um emprego. Refletir é importante, em tempos de crise mundial climática, ambiental, humanitária e econômica, pois só assim poderemos pensar e agir para construir outros mundos possíveis, além deste que se apresenta.

Quando o cenário indicar mudanças anunciaremos uma nova data. Até lá continuaremos com nossa campanha nas redes pela criação do Parque Cultural das 3 Pontas, na defesa do Direito à Cidade e por mais parques públicos e Áreas Verdes de Lazer, na busca por uma cidade mais saudável, justa e fraterna.

Movimento Ponta do Coral 100% Pública

Vinheta de Convite para o Piquenique do dia 23

Estamos relançando a Campanha “Ocupe a Ponta do Coral”, com convite aos artistas, coletivos, movimentos sociais a ocuparem a área, levando até ela arte, lazer, cultura, piqueniques, oficinas, rodas de conversa, esporte e o que mais a criatividade deixar. Faremos a divulgação e estamos dispost@s a construir junt@s as atividades. Marque um dia (ou dias!) e nos mande a divulgação.

Como primeira atividade do ano, estamos chamando todos e todas pra um Piquenique na tarde do dia 23/03 a partir das 14h. Portanto, traga sua canga ou cadeirinha e comes e bebes para compartilhar. Espia a vinheta que fizemos para o convite!