AbraCidade: Manifesto por uma Floripa do Bem Viver

Florianópolis tem se tornado uma cidade mais difícil de se viver. O trânsito é cada vez mais intenso, perigoso e caótico, na capital de pior mobilidade urbana do Brasil. O poder público nada faz para melhorar o transporte coletivo na cidade, com tarifas que aumentam todos os anos, superando a inflação, e ainda deposita toda sua energia em viadutos e “asfaltaços”, com um claro viés eleitoral. 

Novas ciclovias não são construídas. Prédios se erguem aos montes, após o setor das empresas de construção civil ter sido vitorioso no embate jurídico por um novo Plano Diretor, quando uma decisão do STJ, em 2017, concretou mais de 3 anos de participação popular legítima (através de dezenas de audiências públicas). Hoje, impera o Plano Diretor (PD),aprovado às pressas, com intensa repressão aos movimentos sociais, às vésperas do natal de 2014. Na ocasião, a maioria dos vereadores aprovou, sem debate, cerca de 300 emendas absurdas, que diminuíram, entre outras coisas, as Áreas Verdes de Lazer (AVLs) e as Áreas Comunitárias Institucionais (ACIs), reduzindo, portanto, o direito à cidade para a maioria da população, como a Ponta do Coral, território símbolo de resistência, quase 40 anos, que foi mantida como Área Turística Residencial (ATR), permitindo construções no local.

O dinheiro tem falado mais alto e o dinheiro grosso tem projetos para a cidade. A beira-mar norte é região emblemática neste processo, com o projeto da faraônica “Megalo-Marina”, sendo o principal deles. O projeto prevê vagas para 684 embarcações (624 privadas e 60 públicas), sendo que serão necessárias 624 vagas para estacionamento de veículos. Além dos problemas com a mobilidade urbana e a poluição dos veículos, temos ainda a dragagem, processo que visa escavar o fundo do mar, ampliando sua profundidade para permitir que as embarcações se desloquem sem encalhar. Será necessário retirar uma imensa quantidade de solo do mar, fazendo com que substâncias tóxicas presentes nesta lama voltem para a água, atingindo a biodiversidade e a saúde do ecossistema. Sem falar no aumento do trânsito de embarcações, óleo e ruído no mar. A pesca será prejudicada e animais filtradores, como as ostras, poderão acumular as substâncias tóxicas desta atividade, refletindo na maricultura, importante atividade econômica da qual dependem centenas de famílias. Tal projeto encontra resistência na comunidade pesqueira da cidade, que, no dia 01/12/18, saíram em barqueata em protesto contra esta Marina.

Concomitantemente, estão sendo gastos milhões de reais de dinheiro público para tratar o esgoto despejado na baía, sem resolver a origem do problema e sem apresentar melhoras na balneabilidade. Isso sem contar a retomada do projeto de construção de um Emissário Submarino no Campeche. O projeto do emissário submarino é polêmico não só de agora. Há muito tempo, planeja-se a construção deste emissário para servir como alternativa à disposição final dos efluentes tratados pela CASAN. O projeto, desenhado sem a participação da comunidade, baseia-se em uma projeção de população de até 1,8 milhão de pessoas para a cidade de Florianópolis. 1,8 milhão de pessoas em um espaço que não comporta nem os atuais 450/500 mil habitantes. A população do sul da Ilha já se mostrou avessa ao projeto, há, aproximadamente, 10 anos, mas aqueles que comandam a cidade pouco se preocupam com o meio ambiente ou a saúde pública dos que aqui vivem. O grande desejo é a ocupação da Planície Entremares para satisfazer a gula da especulação imobiliária. Desde os anos 90, movimentos populares e associações, como a AMOCAM, Associação de Moradores do Campeche, vêm se colocando contra o projeto de verticalização da planície e a destruição contínua de áreas, que deveriam ser consideradas de preservação permanente. O lugar do público, no Campeche e na Planície Entremares, não existe. A privatização de espaços, outrora compartilhado por todos de maneira comunitária e coletiva, hoje, está a serviço do capital especulativo. A defesa dos lugar público é uma das bandeiras da AMOCAM, assim como a defesa intransigente do meio ambiente e direito à cidade. E este direito passa pela participação ativa de todas as gentes, na definição de políticas públicas inclusivas e universais.

Enquanto isso, a população corre o risco de perder espaços de interesse público importantes, como o CAPS da Ponta do Coral, um serviço de referência para atendimento em Saúde Mental, uma vez que com a sua transferência para o Estreito, no final de 2018, a ilha , agora, conta apenas com um CAPS AD, que presta serviços apenas para casos que envolvem abuso de álcool e outras drogas, e um CAPS i, para atendimento ao público infantil, que não possui atendimento 24h. Atualmente, a lei prevê um CAPS nível I para atendimento, na média, de 50 mil habitantes. Florianópolis possui, aproximadamente, 500 mil habitantes e oferece apenas um CAPS II, quando deveria já ter implementado um CAPS de nível III, funcionando durante 24h. As gestões públicas vem demonstrando, com isso, seu descaso com a saúde da população. A atual gestão deixou ainda mais evidente que seu governo é pra interesse de poucos, com a forma que retirou o CAPS II Ponta do Coral de um local estratégico (Agronômica – ao lado da casa do governador). Nós, dos Movimentos Sociais/Ambientais e dos CAPS, compreendemos a saúde como a promoção dela, através do direito de ir e vir, do acesso aos espaços de lazer, arte e cultura, da garantia da reinserção social (em casos que já há a presença de algum sofrimento e transtorno) e do respeito à autonomia das pessoas. Este é o ponto principal que une nossas pautas: entender os serviços públicos e de qualidade como direito da população. Lutamos, também, pela garantia do acesso ao planejamento da cidade, por uma cidade que seja inclusiva para todos e todas. A luta antimanicomial se coloca contra toda forma de marginalização e, portanto, a construção de uma cidade para poucos marginaliza as comunidades tradicionais da ilha da magia e outros grupos de pessoas em estado de vulnerabilidade social.

Entendemos que é necessária a reflexão sobre a cidade que estão projetando e construindo para nós. Mais do que reflexão, ação. Precisamos mostrar para mais pessoas que existem espaços de resistência na cidade, onde as pessoas se juntam, com projetos por uma Floripa mais humana, saudável e sustentável. Temos como proposta resgatar o abraço, este ato que nos une e protege os espaços e ideias que defendemos. Este ato que conecta afetos, que transmite calor, em tempos da frieza das redes ditas sociais e da divisão política em que mergulha o país. Faremos uma campanha de piqueniques em pontos simbólicos para a cidade que queremos, com um abraço e piquenique coletivo e tudo que nossa criatividade permitir levar e compartilhar.

Abraçaremos a cidade em defesa de uma Florianópolis que respeite seu povo e seja planejada pensando nele. O primeiro evento será no PACUCA, Parque Cultural do Campeche, no dia 21 de Setembro de 2019. A história do PACUCA se mistura com a própria história do bairro, das lutas comunitárias e com a história da aviação na Ilha de Santa Catarina. O local, pelo qual a comunidade luta bravamente a favor da instalação de um parque, durante a década de 20 do século passado, abrigou a pista de pouso da companhia francesa Latécoère, que fazia o rota aérea Europa-América Latina. Contam os pesquisadores e moradores mais antigos do bairro que o famoso aviador/escritor Antoine de Saint-Exupéry pousou aqui e fez muitas amizades entre os locais. Daí o nome da avenida principal do bairro ser denominada “Avenida Pequeno Príncipe” em homenagem ao livro mais famoso dele. Com o advento da segunda guerra mundial, a rota foi suspensa e o local passou a servir de campo de pouso para aeronaves comerciais, abrigando pousos e decolagens de aviões de passageiros até a construção do Aeroporto Hercílio Luz. O terreno de 352 mil metros quadrados, no coração do Campeche, é hoje de posse da União e com parte sob guarda da Base Aérea. A comunidade, há décadas, usa o local para atividades esportivas diversas e de lazer. Tombado pelo Decreto Municipal 13707/2014, depois retificado pelo Decreto Municipal 18915/2018, como Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural do Município, é o cenário ideal para o primeiro evento do ABRACIDADE 

Assinam este documento:

 

AMOCAM, Associação de Moradores do Campeche
Movimento Ponta do Coral 100% Pública
Coletivo PIRA

 

Limitações das VPNs

O texto abaixo foi extraído da página de Ajuda do Riseup e nos parece importante pois nos lembra até onde vai esta solução técnica.

Recomendamos que se tenha sempre em mente os limites da opção tecnológica que você usa. Já escrevemos um pouco sobre o Signal. Quem sabe, mais pra frente, falamos sobre Tor, Linux, Lineage, etc.

Acima de tudo, esteja cara a cara com as pessoas.


A Riseup VPN tem limitações comuns a todas as VPNs pessoais:

  • Legalidade: Se você vive em um Estado não democrático, pode ser ilegal usar uma VPN pessoal para acessar a internet.
  • Localização: Usar uma VPN em um dispositivo móvel resguardaria a sua conexão de dados, mas a companhia telefônica ainda poderia determinar a sua localização, registrando quais torres se comunicam com o seu dispositivo.
  • Dispositivos seguros: Uma VPN ajuda a proteger as suas informações enquanto transitam pela internet, mas não enquanto estão armazenadas no seu computador ou em um servidor remoto.
  • Conexões inseguras são sempre inseguras: Embora a Riseup VPN torne anônima a sua localização e proteja você da vigilância do seu provedor, depois que seus dados forem roteados em segurança por riseup.net, eles seguirão pela internet normalmente. Portanto, ainda se deve usar conexões seguras (TLS), quando disponíveis (isto é, prefira HTTPS a HTTP, IMAPS a IMAP, etc.).
  • VPNs não são remédio para tudo: Embora deem conta de muita coisa, as VPNs não resolvem tudo. Por exemplo, não aumentam a sua segurança se o seu computador já estiver infectado por vírus ou programas espiões. Se você passar informações pessoais a um site, a VPN poderá fazer muito pouco para manter seu anonimato diante dele e das páginas parceiras. Saiba como manter o anonimato com VPNs.
  • A internet pode ficar mais lenta: A Riseup VPN roteia todo o seu tráfego por uma conexão criptografada a riseup.net antes que ele siga para a internet normal. Esse passo extra pode deixar a transferência de dados mais lenta. Para reduzir a lentidão, escolha, se possível, um servidor de VPN localizado próximo a onde você vive.
  • VPNs podem ser difíceis de configurar: Ainda que tenhamos tomado providências para facilitar ao máximo o processo, qualquer VPN complica um pouco a configuração da sua rede.

Boas Práticas Para Reuniões – Parte 1: Distribuição de Poder e Boas práticas em geral

Continuando com a série de publicações relacionadas com boas práticas de organização, desta vez compartilhamos algumas reflexões sobre como organizar reuniões levando em conta valores como descentralização de poder, cultura de segurança e autonomia.

Boas práticas de comunicação são um elemento cultural que ajuda a manter o nosso ativismo funcionando, e as reuniões são atividades que possuem papel central na organização dos grupos para o cumprimento de seus objetivos.

Desta forma, lançaremos três publicações que visam compartilhar um compilado de reflexões e práticas associadas com reuniões. Nestes textos, iremos mostrar algumas dicas e arranjos que em vários anos participando em diversos coletivos nos foram muito úteis. Nosso foco são as reuniões online, porém, vamos iniciar falando sobre acordos que servem para qualquer reunião, com alguns apontamentos sobre relações de poder e boas práticas em geral.


Distribuição de Poder e Boas práticas em geral

São muitos os fatores que vão influenciar no bom andamento de uma reunião. É muito importante prestarmos atenção no seguinte: em muitos casos as reuniões são um dos poucos momentos de interação entre o grupo todo, e as dinâmicas da reunião vão influenciar bastante no andamento do grupo posteriormente.

Antes de tudo, como o poder está distribuído?

Não é possível falarmos de uma reunião de pessoas sem ter atenção para as relações de poder envolvidas. Aqui, nosso valor fundamental é a horizontalidade.Ou seja, buscamos garantir espaço de fala para todo mundo e uma escuta que some de nossas potências. Seja entre amigos, na família ou no trabalho, as relações de poder visíveis e invisíveis determinarão o andamento da reunião e o seu resultado, independente de quão brilhante for a sua ideia ou descontente você estiver.

Entre os poderes visíveis, temos:
Tom de fala, forma de olhar, gestos: agressividade e firmeza numa posição são comumente considerados sinais positivos numa disputa. Porém, se o objetivo da conversa não é ver quem está certo ou errado, então isso pode ser sinal de abuso ou desespero (ou os dois). Se esse é “o seu jeito”, preste atenção para ver se ele ajuda o grupo.
Arranjo físico do espaço: alguém na cabeceira de uma mesa comprida consegue ver todo mundo, ao passo que quem estiver na lateral terá sempre um pequeno número de pessoas no seu campo de visão. Diferenças de altura também podem acarretar diferenças de poder. Fontes de ruído assim como de luz podem atrapalhar a comunicação.
Retórica: por mais “visível”/audível que uma fala seja, existem diversas sutilezas no ato discursivo que buscam convencer os outros, independente dos argumentos serem bons ou ruins. Ser um argumento bom ou não também é uma questão retórica, então é preciso ter atenção na linha de raciocínio para não cair em (ou usar) argumentos de autoridade, apelos emocionais infundados, chantagens, entre outros.
Acesso a ferramentas: internet, celular, transporte, dinheiro, materiais gráficos, etc.

E entre os poderes invisíveis, temos:
Privilégios: qualquer sociedade autoritária como a nossa está estruturada de maneira a forçar (independente da sua vontade) que algumas pessoas tenham mais poder que outras. As diferenças entre as pessoas não precisam ser vistas como diferenças inerentes de poder. Elas podem ser formas complementares de poder. Entretanto, isso ainda é utópico, então preste atenção em quem está na sua reunião e o que a sociedade te concede e o que ela te tira.
Estados psíquicos: a energia e a vontade de cada pessoa no momento da reunião são sempre diferentes. Isso influencia, por exemplo, na paciência e na empolgação individual, resultando sempre num efeito coletivo.
Influência no grupo: cada par de pessoas tem um nível diferente de afinidade entre si.
Acesso a informações: algumas pessoas sabem mais sobre o que está acontecendo do que outras.
Tempo disponível: o tempo que cada pessoa tem para se dedicar ao grupo, à pauta da reunião previamente, e o tempo que dispõe para assumir tarefas. Isso pode ser visível ou invisível.
Capital cultural: o conhecimento e as habilidades intelectuais acumulados que cada pessoa tem e que lhe conferem poder e status social.

É claro que outros poderes podem ainda estar envolvidos, mas foram esses que conseguimos pensar até agora

O que queremos com nossa reunião?

Com as dinâmicas de poder mais ou menos claras, agora podemos começar a pensar onde queremos chegar com uma reunião.

Nossa intenção é fazer a reunião acontecer bem e, ao mesmo tempo, diminuir as dinâmicas nocivas de poder.

Tendo a autonomia como valor-guia, constantemente estaremos oscilando entre dois objetivos: tomar decisões e entender as pessoas (encaminhar ações e discutir com atenção). Muitas vezes, uma coisa leva à outra, mas nem sempre. Buscar que a reunião seja encaminhativa a qualquer custo, na maioria das vezes, leva ao abuso de poder ou ao afastamento. Por outro lado, já presenciamos diversas reuniões extremamente enfadonhas quando uma pessoa ou outra usava seu tempo de fala (e extrapolava-o) para contar seus problemas pessoais e angústias. Não é isso que queremos.

Lembre-se: a reunião é apenas um instante no acontecimento social, na vida do grupo. Ela não deve ser o único nem o derradeiro momento de conversa. Garanta que existam outros espaços para trocas.

Boas práticas em geral

Para que qualquer reunião tenha mais chances de acontecer bem, alguns pontos parecem ser fundamentais. Lembre-se que a reunião é um acontecimento coletivo e não um lugar para ficar famoso ou ver suas ideias serem aceitas.

PREPARANDO-SE: dicas para fazer antes de ir pra reunião:

  • Pontualidade: busque chegar um pouco mais cedo para trocar ideia, saber das novidades, arrumar o espaço. Reserve a comunicação à distância (email, w-ap, chat) para MARCAR encontros e não o contrário.
  • Equipamentos: se você precisa de alguma coisa para que a reunião aconteça (cadeiras, comida, fone de ouvido, etc.), prepare com antecedência.
  • Local: ajude a preparar o local para que todo mundo se sinta à vontade. Tenha comida, banheiro e almofadas ou cadeiras disponíveis. Um local protegido das intempéries (sol, chuva, vento, ruído) também é importante.
  • Pauta: pense no que você quer levar para a reunião e estude. Se possível, compartilhe previamente seus pontos de interesse com o grupo. Reflita antecipadamente sobre os pontos alheios também.
  • Comunicação: todas as pessoas que querem que a reunião aconteça podem buscar saber se todo mundo foi informado. Basta que uma pessoa fique responsável pelo chamado, mas nada impede que você pergunte e informe as outras.

Logo que as pessoas estiverem reunidas, escolham uma pessoa para servir de coordenadora. A coordenação tem o papel de manter a engrenagem azeitada. Ela está ali para fazer os acordos coletivos acontecerem. Escolher uma coordenadora é uma tentativa de evitar que as pessoas se sintam perseguidas quando quebram as regras da reunião sem perceber. Escolham também uma anotadora. Ela fará a ata e trará de volta algum ponto já acordado para esclarecimento, se for necessário.

REALIZANDO: durante a reunião, fique atenta aos acordos e às dinâmicas de poder:

  • Celular: ao chegar no local, desligue seu celular. Caso precise mantê-lo ligado, avise as outras pessoas e coloque-o no modo silencioso. Se a reunião for tratar de assuntos sensíveis ou sigilosos, desligue o aparelho e coloque-o junto com os outros dentro de uma bolsa LONGE da reunião (em outro cômodo, dentro de um carro, etc.).
  • Pauta: são os pontos a serem discutidos na reunião. Prepare-os antecipadamente. Garanta que todo mundo sabe antecipadamente do que será tratado na reunião. Tentem chegar num consenso sobre a prioridade das pautas. Essa discussão é importante para saber o quê e por quê cada ponto da pauta é importante para as pessoas. Se essa discussão encalhar, faça uma votação qualitativa: cada pessoa dá sua opinião sobre os níveis de prioridades das pautas entre si e, quando todo mundo tiver terminado, a soma dos níveis definirá a ordem das pautas (ver a seção FERRAMENTAS).
  • Término: decidam um bom horário para terminar a reunião. (CONTROVÉRSIA: Caso uma decisão seja urgente e não se tenha chegado a um consenso, lembre-se da diversidade de táticas: ajude no que quer ajudar, não atrapalhe naquilo que não é do seu interesse. Não “assine” sua ação como sendo do grupo. Unicamente nesses casos, é melhor agir, mesmo que sem unidade, do que culpar os outros por não ter feito o que você queria. Deixe aberto ao grupo a possibilidade de te apoiar nas consequências ou não.)
  • Pausa (opcional): caso haja bastante tempo (mais de 2h), programe uma pausa.
  • Disposição das pessoas no espaço: evite desnível de altura e distância. O círculo tem se mostrado, há muitas décadas (talvez milhares de anos), ideal para isso. Caso queiram experimentar, vejam se, ao retirar um pouco de poder de quem tem, a dinâmica do grupo melhora: disponham as pessoas mais confiantes, com algum privilégio ou que estão mais à vontade para falar em público atrás ou abaixo das outras.
  • Inscrição: Uma das formas de se inscrever para discutir algum ponto da pauta é levantando a mão para que as outras pessoas vejam que você tem algo a dizer. Você então espera a pessoa que está com a palavra terminar e então começa. Se houver muita gente, a coordenadora pode ficar responsável por “fazer uma fila” anotando as pessoas inscritas por ordem de chegada. É comum que aqueles que querem discutir a presente pauta tenham prioridade sobre quem quer mudar para um próximo ponto ou voltar em algo que já foi discutido. Esse acordo deve ficar claro no início da reunião e a coordenadora poderá interromper quando notar que alguém está mudando de pauta. É importante lembrar que a inscrição ativa (“quero me inscrever agora”) favorece as pessoas que já têm poder em público. Uma dinâmica para tentar mudar isso é usar a inscrição passiva: todas as pessoas estão inscritas de início, ou seja, todo mundo tem a oportunidade de dar sua opinião se quiser. Nesse caso, é imporatnte controlar o tempo além de que todos saibam o que está sendo feito: juntando opiniões, elencando prós de uma proposta, ou os contras, ou dando informes, etc. Sempre que alguém sair do que está sendo feito naquele momento, a coordenadora deve poder interromper e retornar ao fio da meada. Claro que numa assembleia, a inscrição passiva é impraticável, o que mostra para que tipo de dinâmica de poder ela foi feita (meia dúzia de oradores carismáticos convencendo e comandando a massa).
  • Fala: esse é o nosso principal meio de expressão durante uma reunião. Gestos e olhares também são importantes, eles completam o que está sendo dito. É pela fala que nosso poder se manifesta ativamente (os privilégios e outras formas de poder também estarão presentes mais passivamente, porém serão tão efetivas quanto a fala. Fique atenta).
    • Sempre que necessário, a coordenadora pode lembrar as pessoas a serem mais claras e concisas. Se você achar que precisa de mais tempo para esclarecer seu ponto, avise e sugira você mesma um tempo para que a coordenadora te ajude a terminar.
    • Evite interromper a fala de alguém: isso atrapalha o raciocínio dela e mina sua expressão de poder. Combinem previamente que a coordenadora seja a única a poder interromper a fala de alguém.
    • Quando for sua vez de falar, fique dentro da pauta. Fale o que desejar sobre AQUELE ponto específico. Evite falar de outros pontos da pauta ou de assuntos fora da pauta.
  • Ata: a ata é o resumo da reunião e contém o que foi decidido. Cada encaminhamento deve ter uma responsável e uma data para realização, quando possível. A anotadora enviará a ata para todas as pessoas relacionadas à reunião (presentes ou não). É importante que a ata fique aberta para melhorias e correções.

Uma vez tendo se tornado um hábito, essas dicas farão das suas reuniões momentos muito mais agradáveis, pois você sabe, mais ou menos, o que vai encontrar.

Apresentação e Roda de Conversa sobre Segurança de Pés de Descalços na CryptoRave 2019

Neste sábado, das 12:40 às 13:30 do dia 04 de Maio vai acontecer na CryptoRave uma Roda de Conversa sobre a Segurança de Pés de Descalços. Acreditamos que será um espaço importante para contextualizar melhor esta proposta, bem como debater sobre uma visão estratégica para promover uma Cultura de Segurança. Venha e participe!

Este ano a CryptoRave acontecerá na Biblioteca Mário de Andrade, pertinho do Metrô Anhangabaú (linha vermelha), em São Paulo Capital.

A programação completa do evento pode ser vista em: https://cpa.cryptorave.org/en/cr2019/events/388

Andanças Poéticas na Ponta do Coral – 27/04/19

Em uma bela manhã de sábado, aos vinte e sete dias do mês de abril desse ano surreal de 2019, a pontinha da Ponta do Coral foi palco de um belo espetáculo da dança entre as corpas das oficineiras com o capim alto, a brisa e marulho das ondas.

Fruto do projeto Andanças Poéticas na Cidade, que se propõe a ocupar e dançar espaços públicos, dançar a cidade que queremos. Projeto este que recebeu autorização da Prefeitura Municipal de Florianópolis para ser realizada em ESPAÇOS PÚBLICOS.


Nos bastidores, outro “espetáculo”, nada belo aconteceu: parecia um balé desengonçado de impedir uma pessoa de atravessar a trilha que leva até a pontinha da Ponta do Coral. No início apenas um corpo colocando-se na frente de outro.

E logo em seguida um corpo bruto surge empurrando e agredindo para impedir de vez que a trilha que tanto conhecemos pudesse ser alcançada. Isso sob alegação de que a propriedade é privada e que há um alvará de funcionamento (que ninguém viu, nem a polícia se dispôs em mostrar), para o estacionamento, emitido pela mesma Prefeitura Municipal de Florianópolis que havia reconhecido o espaço como sendo PÚBLICO. Que contradição!!!

Mas parmanecemos ocupando! E convidamos todes vocês a dançar na Ponta do Coral com o projeto Andanças no próximo sábado (04/05), às 10h e no domingo (05/05) às 15h.

Vamos movimentar todes corpes nas andanças da vida por uma cidade para todes!

Atividades na Ponta do Coral – ANDANÇAS POÉTICAS NA CIDADE: Jogos para o Improviso

Texto  de divulgação das atividades extraídos do Evento no Facebook, promovido pelo Grupo.

– OFICINAS: 27/04 e 04/05 (sábados), dàs 10h às 13h
na Ponta do Coral, Agronômica;

Apresentação introdutória do universo do Underscore* e da Capoeira Angola, percorrendo seus fundamentos e recursos de jogo, para estimular diferentes estados de presença na dança.

– JAM | INTERVENÇÃO | DANÇA NA RUA: 05/05 (domingo),
às 15h na Ponta do Coral.

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Descrição das atividades:

Nas oficinas aos sábados descobriremos o que é o Underscore*, como surgiu e como pode ser utilizado; haverá uma familiarização com as partituras do Underscore, além de exercícios para estimular estados de jogo; práticas de jogo de capoeira para atenção e presença no improviso em movimento. Também seremos levades por estudos performativos através da linguagem e metodologia do Underscore; e a uma roda de experimentação composicional em grupo.

No dia de domingo realizaremos a Jam | Intervenção | Dança na Rua no parque que é a Ponta do Coral, que faz parte do Projeto Parque Cultural das 3Pontas , um marco emblemático desta cidade, com longa história de relação com a questão urbana. Um espaço com vocação para atividades culturais, ainda subaproveitado, e potencial
para ser mais habitado por moradoras/moradores e frequentadoras/frequentadores dos arredores. Trazemos o projeto para este espaço justamente para ocuparmos e habitarmos com a arte e a vida este lugar em disputa.

(* “Underscore é uma estrutura de improvisação de dança de longa duração desenvolvida por Nancy Stark Smith com base na observação do Contato Improvisação. Vem evoluindo desde 1990 e é praticada em todo o mundo.”
Mais sobre Underscore em https://www.blogs.unicamp.br/chao/underscore/)

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Sobre Cauê Dietrich:

Psicólogo, trabalhou por 7 anos no SUS com saúde mental e atenção psicossocial. Dança contato improvisação e joga capoeira angola desde 2010. Desde o início de 2018 vem facilitando aulas, oficinas e laboratórios com práticas corporais e desenvolvimento da criatividade, sensibilidade e espontaneidade.

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Parceria: Entrando em Contato e Espaço Transformando

Este projeto é realizado pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude da FCFFC e pelo Fundo Municipal de Cultura e financiado com recurso público oriundo do edital de apoio às culturas 2018.

Nota sobre casa construída na Ponta do Coral

Nos últimos meses uma casa de madeira foi construída na Ponta do Coral e, ao que parece, a obra foi feita por uma família que entrou com um processo de usucapião alegando ser proprietária da área. Estas pessoas colocaram uma corrente com cadeado na entrada da Ponta com os dizeres “Propriedade Particular”, estão cobrando estacionamento e construíram uma cerca dividindo o terreno em dois espaços (Link para as fotos). Estas atitudes trazem uma realidade nova para as atividades da campanha de ocupação cultural intensificada em 2018. Vale resgatar que o Movimento Ponta do Coral 100% Pública surgiu em virtude da venda ilegal da área em 1980 e resiste há 39 anos defendendo a ideia de utilização coletiva da Ponta, fortalecido pelo Projeto do Parque Cultural das 3 Pontas.

Esta nota, portanto, objetiva alertar a população acerca destes, supostamente, novos moradores, principalmente por termos recebido algumas reclamações de que eles agiram com certo tom de intimidação com quem teve intenção de visitar o espaço. A atuação do Movimento pela efetivação da área como pública, através da criação de um parque, faz com que o Movimento esclareça esta situação, bem como, enfatize, que o diálogo pacífico seja norteador por parte de quem deseje visitar a área.

Aproveitamos para explicitar que não temos qualquer relação com as pessoas que alegam propriedade da área, tampouco, estabelecemos qualquer grau de inimizade ou de hostilidade em relação a eles, pois, ao defendermos o Estado Democrático de Direito, compreendemos que as pessoas devem ter liberdade de buscar seus direitos.

Movimento Ponta do Coral 100% Pública

Florianópolis, abril de 2019

Amanhã! Ato Público pelo Parque da Lagoa

Amanhã de 09:00 às 19:00, defronte ao TILAG!

Link para o Evento, organizado pelo Grupo Salve a Lagoa.

PROTESTO FESTIVO NA LAGOA CONTRA PROJETO
DE SHOPPING QUE LIQUIDA PARQUE E VOO LIVRE

Um grito de protesto em forma de mobilização, confraternização e uma grande festa ao ar livre, repleta de atrações e shows musicais, de graça e aberta ao público da cidade, é o que irá ecoar no próximo sábado em plena Lagoa da Conceição. Esse é o programa que está mexendo com os moradores do bairro, em particular, e também os bastidores da política na capital catarinense.
De um lado haverá a celebração, o ato festivo: à tarde, shows com a banda Iriê e Ras Bernardo (fundador do Cidade Negra), Guilherme “Bala Jones” Ribeiro, Gustavo Barreto e sua black music, o reggae da tainha de Valdir Agostinho, roda de samba com Severo Cruz e Alvinho Carioca, o maracatu do Africatarina e a bateria da escola de samba do bairro, a União da Ilha da Magia, com o DJ Marcelo Pimenta de mestre de cerimônia.

E tem mais: pela manhã, aulão de yoga e dança, boi-de-mamão com Arreda Boi da Barra da Lagoa, roda de capoeira com mestre Jerry (Seo Darcy e Dazaranha), grafiteiros em ação, recreação infantil (incluindo contação de histórias por conta da Barca dos Livros), apresentação do Teatro Comunitário do Canto, distribuição de mudas e plantio de árvores nativas, encontro dos “patudos” (cães e gatos) e atendimento de saúde (medição de pressão e pediatria). Também está prevista a concentração de skatistas, ciclistas, maratonistas e outras tribos da Ilha e do continente.

Por outro lado, a notícia de que está para ser aprovado um projeto de grande porte e impacto ambiental, um shopping center logo na chegada ao bairro, aos pés do morro da Lagoa, é a maior motivação do ato público no próximo sábado. Uma manifestação contundente, como querem os organizadores, para marcar os vinte anos de luta do movimento Salve a Lagoa por um parque urbano no bairro e os 37 anos de existência do Lagoa Clube de Voo Livre, cuja prática, reconhecida e admirada em todo o país e internacionalmente, corre agora o sério risco de ser extinta.

O ato será no próprio local em que queremos ver implantado o Parque da Lagoa, com acesso pela rótula do TILAG, no terreno que passa por detrás do Posto BR Village e anexo ao ao condomínio Marina Phillipi. Vamos dar um grande e afetuoso abraço no “vassourão”, onde queremos ver instalado o parque. Contamos com o apoio dos moradores e das famílias da Lagoa, assim como de toda a população da cidade, dos movimentos ambientais, culturais e sociais, artistas, desportistas, ongs, entidades da sociedade civil, empresariado consciente, da mídia convencional e alternativa, de todos os que amam a Lagoa da Conceição e a querem preservada.

Estamos convocando todo o povo de Floripa e em especial os moradores da Lagoa e as tribos que ajudam a dar identidade ao bairro: praticantes de voo livre, skatistas, surfistas, ciclistas, velejadores, desportistas em geral, artistas, grafiteiros, tatuadores, músicos, capoeiristas, pessoal do ioga, da poesia, da gastronomia, do maracatu, do rock e do samba.

No dia da manifestação venham preferencialmente de branco, tragam os amigos, os vizinhos, os pais, os avós, as crianças (haverá atividades de recreação), seus cachorros e gatos de estimação. Todos são muito bem vindos. Podem trazer balões, fantasias, pandorgas, tudo o que ajude a dar colorida e boas vibrações ao encontro. Quem puder que colabore com faixas e cartazes criativos, marcando a sua presença e o que pensa. Mas não se esqueçam de trazer também um saco de lixo para ajudar a deixar o local limpo ao final deste grande ato de confraternização e luta pelo Parque da Lagoa.

Estamos abertos a sugestões e convidamos a todos e a todas a entrarem para o grupo Salve o Parque da Lagoa no Facebook e Instagram.
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VENHA DAR UM GRITO DE SALVE AO PARQUE DA LAGOA E UM GRANDE VIVA AO VOO LIVRE. VAMOS DAR UM SALVE ÀS CRIANÇAS E IDOSOS, AOS JOVENS DE TODAS AS TRIBOS, AOS ATLETAS E ARTISTAS, AOS DEFENSORES DA NATUREZA E DOS ANIMAIS, À SAÚDE AO FUTURO DA LAGOA DA CONCEIÇÃO. SALVE!!!

Primeira Reunião de 2019 do Movimento Ponta do Coral 100% Pública

Marcamos a nossa primeira reunião de 2019! Será nesta segunda, dia 18/03/19, às 19:30 no Tarrafa Hacker Clube*, que fica pavilhinho do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.

Venha participar desta mobilização pela criação do Parque Cultural das 3 Pontas, um parque para tod@s, unindo a Ponta do Coral, Ponta do Goulart e Ponta do Lessa e ajudar a planejar as atividades deste ano, que promete ser de muita luta!

Vem com a gente! Pelo Direito à Cidade e o Parque Cultural das 3 Pontas!
Ponta do Coral: Área Verde de Lazer (AVL) Já!

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1983880685054677/

* O Tarrafa é um Espaço Hacker, um laboratório comunitário onde pessoas com interesses em comum, frequentemente em tecnologia, ciência, arte digital e eletrônica, política, matemática, biologia, arquitetura, segurança, e qualquer área do conhecimento humano, podem se encontrar, compartilhar conhecimentos e colaborar em projetos conjuntos. Agradecemos o pessoal por cederem o espaço para realização de nossa reunião!

Reunião de encerramento de 2018

Já temos marcada a nossa última reunião de 2018! Será nesta terça, dia 18/12/18, às 19:30 no pavilhinho do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.

Venha participar desta luta pela criação do Parque Cultural das 3 Pontas, um parque para tod@s, unindo a Ponta do Coral, Ponta do Goulart e Ponta do Lessa!

Toda a ajuda é necessária, neste momento onde as forças da especulação imobiliária estão com tudo!

Vem com a gente! Pelo Direito à Cidade e o Parque Cultural das 3 Pontas!
Ponta do Coral: Área Verde de Lazer (AVL) Já!