N25 em Buenos Aires: Contra o patriarcado e o G20 .

Dia 26 de novembro, milhares de pessoas marcharam do senado argentino a casa Rosada, sede do poder executivo, em Buenos Aires. Houveram marchas também em La Plata, Córdoba e Rosário e outras províncias.

O protesto pelo Dia Internacional de combate a violência às mulheres aconteceu na semana de lutas contra o G20. O grupo de chefes de Estado dos países ricos e desenvolvimento e representantes do capital se reúnem na argentina entre 30 de novembro e 1 de dezembro.

Mais fotos aqui

 

 

 

 

 

Durante o protesto entrevistamos mulheres do movimento de luta por moradia:

O aparato de segurança militarizado para receber chefes de Estado e representantes do capital internacional está sendo questionado pela população que está sendo obrigada a se registrar para receber credenciamento para transitar e trabalhar nos bairros e por um processo amplo de criação de inimigos internos.

Matérias do Coletivos 1508:

O Estado argentino teme o Povos: O operativo de repressão para o G20

Invenção do Inimigo Interno e repressão na Argentina

Mais Informações: No Al G20

 

Pronunciamento, um ano depois. Por Vladimir Safatle

‘Lei não é feita para bandido, o Brasil ama a ordem e o progresso’

“Brasileiros amantes da pátria, venho a público em cadeia nacional, um ano após nossa grande vitória nas eleições de 2018, para anunciar medidas que nosso governo tomará contra o grave momento por que passamos. As forças subversivas que lutam dentro de nosso país contra os interesses supremos da pátria, aliados ao comunismo internacional, se voltaram contra as reformas que implementamos neste ano de 2019, semeando mentiras, cizânias e fake news entre o povo.

Quando flexibilizamos as leis de trabalho para garantir que os empresários voltassem a empregar mais, tirando entulhos que eles chamavam de ‘direitos’, esses delinquentes foram capazes de sorrateiramente convencer gente ingênua de que nós estávamos apenas governando para os ricos. Porra, quando eu falei que era melhor ter menos direitos e emprego do que mais direitos e desemprego parece que teve gente que não entendeu. O cara fica sonhando com férias, 13º, acordo coletivo, mas ninguém queria contratar.

Então a gente liberou e os empregos apareceram, tá OK?

Aí veio essa gente dizendo que os salários desses empregos eram muito mais baixos e sem garantias, que minha política era responsável por deixar os pobres ainda mais pobres, mesmo trabalhando mais e em condições piores, enquanto diminuía os impostos dos ricos. Eu botei uma alíquota única para o imposto de renda, 20% para todo mundo, e teve gente que ainda reclamou que os mais pobres perderam sua isenção fiscal. Mas todo mundo tem que colaborar. Todo mundo tem que pensar no Brasil.

Só que esse pessoal se aproveitou para criar aquela balbúrdia que vocês viram. O governo não ia deixar o país parar por causa daquelas greves e manifestações na rua. Mandei mesmo a polícia intervir. Fazer o que se aqueles vermelhos foram para cima das forças da ordem e elas reagiram? Porra, vocês acham o quê? Se teve 14 mortes, paciência. Esse país não vai virar uma Venezuela.

Depois, veio uma ONG estrangeira, dessa gente que fica comparando o Brasil às Filipinas e à Turquia, para dizer que o aumento da violência neste ano foi gerado pelo aumento da desigualdade e pela concentração de renda que meu governo teria produzido. Conversa. Violência é coisa de bandido, chega de passar a mão na cabeça de malandro. Só que esse pessoal ainda fica rodando o mundo com as cenas daqueles dois garotos que entraram em uma escola de elite de São Paulo e metralharam 25.

O que isso tem a ver com a liberação do porte de armas que fizemos no meu governo? Tudo isso é coisa de gente mal intencionada, tá OK? Hoje, os professores andam armados e estão mais seguros. Por isso, mandei essas ONGs para fora do país e aprovamos uma Lei da Informação verdadeira. Quem mentir dançou. Cadeia.

Agora, tem gente de novo na rua dizendo que eu não estou nem aí com a saúde pública, que está tudo sucateado e o povo apodrece em fila de hospital porque não aumentei os recursos para o SUS. Eu tinha dito que não ia aumentar mesmo, que não precisava disso. Mas aqueles médicos cubanos vieram com essa história de terem que tirar dinheiro do próprio bolso para comprar medicamentos para os pacientes. É coisa de cubano.

Juntou esse povo com os estudantes riquinhos que perderam sua mamata porque as universidades públicas agora são pagas e cortamos a verba desse pessoal que tinha fetiche de diploma. Aquilo era só doutrinação comunista e gayzista, ninguém vai sentir falta dos 5.000 professores que botamos para fora porque só faziam doutrinação.

Os pais têm que se preocupar com o ensino fundamental. Universidade para quê? O que falta é educação moral e cívica. Agora, se não tem gente que quer ser professor de ensino fundamental porque as tais condições de trabalho são ruins, paciência. Vamos fazer tudo a distância. E não venha falar em queda de qualidade. Esse pessoal gostava mesmo era da época em que o governo distribuía kit gay para nossas crianças.

Por tudo isso, eu e meu vice, o general Mourão, estamos decretando estado de exceção para limpar de uma vez por todas este país dessa escória e garantir o crescimento, a prosperidade e a paz social. Lei não é feita para bandido. O Brasil ama a ordem e o progresso. Boa noite.”

FOLHA DE SP, 05.1O.18
Por Vladimir Safatle – Filósofo

29/09 Ele não! Todo mundo na rua contra o Fascismo!

Sábado, dia 29/09 todo mundo na rua! Floripa, 15h – Largo da Alfândega, haverão atos em diversas cidades! Quem vota e quem não vota, Tod@s nas ruas contra a representação nas urnas da homofobia, machismo, ignorância, ódio contra os pobres, veneração de torturadores e da ditadura. Arte de @aycamela #mulherescontrabolsonaro #elenão #elenunca #nãoaofascismo #podrespoderes

 

“Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval

Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais” (Caetano Veloso, Podres Poderes).

 

ATOS EM DIVERSAS CIDADES E ESTADOS

ALAGOAS
Maceió – 15h – Praça Centenário

AMAZONAS
Manaus – 17 – Largo São Francisco

BAHIA
Salvador – 14h – Largo do Campo Grande

CEARÁ
Fortaleza – 15h – Praia dos Crush

DISTRITO FEDERAL
Brasília – 15h – Praça Índio Galdino (714sul)

ESPÍRITO SANTO
Vitória – 14h – Praça do Papa

GOIÁS
Goiânia – 15h – ?

MATO GROSSO
Cuiabá – 16h – Monumento Ulisses Guimarães

MINAS GERAIS
Belo Horizonte – 15h – Praça Sete de Setemrbo
Juiz de Fora – 11h – Praça Halfeld
Uberlândia – 14h – Praça Tubal Vilela
Itajubá – 16h – Praça do Carneiro

PARÁ
Belém – 17h – Mercado São Braz
Santarém – 17h – Praça da Matriz

PARAÍBA
João Pessoa – 15h – Praça da Paz

RIO DE JANEIRO
Rio de Janeiro – 15h – Cinelândia
Petrópolis – 17h – Praça Dom Pedro
Niterói – 14h – CCR Barcas
Campos – 15h – Praça São Salvador
Macaé – 16h – Praça Veríssimo de Melo

PERNAMBUCO
Recife – 14h – Praça do Derby

RIO GRANDE DO NORTE
Natal – Midway Mall

RIO GRANDE DO SUL
Porto alegue – 15h – Redençao
Osório – 14h – Praça da Matriz
Santa Crruz do sul – 15h – Praça da Bandeira
Pelotas – 17h – Largo do Mercado Central
Caxias do Sul – 15h – Praça Dante Alliguieri
Erechim – 14h – Praça dos Bombeiros

SANTA CATARINA
Florianópolis – 15h – Largo da Alfândega
Blumenau – 15h – Praça Dr. Blumenau

SÃO PAULO
São Paulo – 13h – Largo do Batata
Ribeirão Preto – 12h – Esplanada do Teatro Pedro II
São José dos Campos – 9h – Praça Afonso Pena
Santos – 15h – Praça da Independencia
Americana – 14h – Praça Comendador Muller
Itu – 30/09 – 16h – Praça Miguel
Campinas – 17h – Largo do Rosário
Franca – 15h – Rua Major Claudiano 2235
Botucatu – 11h – Praça do Bosque

SERGIPE
Aracajú – 15h – Viaduto do dia

TOCANTINS
Palmas – 16h – Praça Povos Indígenas

RELATO DA VISITA À GREVE DOS CAMINHONEIROS NO POSTO CATARINÃO (PALHOÇA, SC)

Estivemos visitando um importante posto de greve dos caminhoneiros ontem e hoje, na Palhoça (SC). Confirmamos algumas impressões e relatos: a categoria está muito mobilizada, tem apoio de setores muito diversos da sociedade e não está pensando no fim da greve. Quem tá puxando a luta são trabalhadores muito precarizados, embora tenham apoio de grande parte do empresariado. A categoria tem um rechaço muito forte à toda a mídia corporativa, especialmente a Rede Globo. Chega doação o tempo todo, gente passa buzinando, muitos carros com bandeiras e escritos em apoio aos caminhoneiros. Apesar do apoio formal de praticamente toda a esquerda, nos dois momentos em que estivemos lá não vimos mais nenhum militante organizado da esquerda junto (mas sabemos que tem gente se organizando para isso).

Acredito que dois dilemas são fundamentais nos rumos da greve.

Um deles diz respeito à pauta principal das condições de trabalho e de vida (preço do diesel, pedágio, etc). As falas e reivindicações estão girando muito em torno da redução dos impostos, o que interessa aos patrões, mas não vai resolver a alta de preços e vai certamente gerar falta ainda maior de investimentos em direitos sociais. Há caminhoneiros pautando a mudança na política de preços da Petrobrás, mas parece que eles ainda estão em minoria.

O outro dilema é o horizonte político para além do Fora Temer, que é consensual. A defesa de uma intervenção militar está bem presente, mas surge geralmente de forma externa, a partir de setores de extrema-direita que estão lá o tempo todo. Em geral, são aposentados e aposentadas de classe média-alta, que podem ser facilmente distinguidos da categoria. A adesão ativa da categoria aos militares varia muito em cada lugar, mas tem apoio significativo entre caminhoneiros na Palhoça, onde há várias faixas e escritos em caminhões sobre essa pauta. Quem levou esses materiais foi a extrema-direita organizada, mas tudo indica que há espaço para outras faixas de apoio com nossa perspectiva política, coisas como “toda força à luta da classe trabalhadora”, “Petrobrás a serviço do povo”, “fora Pedro Parente”, “intervenção popular já”, etc.

As propostas dos patrões (reduzir impostos) e da extrema-direita (intervenção militar) não possuem qualquer perspectiva de resolver a pauta da greve. Os militares não iriam enfrentar os interesses dos acionistas estrangeiros para abaixar os preços. Esse debate está em aberto para ser feito com a categoria e considero que há espaço para isso.

Enfim, acho que os resultados e consequências dessa greve precisam ser disputados e abaixo proponho algumas formas.

1. A pauta concreta são os custos de trabalho e de vida dos caminhoneiros, uma reivindicação com potencial de atingir toda a classe trabalhadora. Com a dimensão que a luta tomou, existe um risco de se perder essa pauta na discussão pelo horizonte político, entre “Fora Temer”, “Intervenção Já”, “Eleições Já”, etc. Assim como em junho de 2013, quando a esquerda teve que fincar o pé no tema das tarifas (e conquistou a gigantesca vitória de baixar a tarifa em mais de 100 cidades), penso que temos que lutar para manter a pauta do preço dos combustíveis e outros custos dos caminhoneiros. A greve precisa alcançar vitórias materiais.

2. A participação da esquerda junto aos pontos de greve é importante, mas precisa ser feita de forma coletiva e qualificada, a partir dos sindicatos, entidades e movimentos sociais. Apoio de verdade é levar comida, bebida, ajudar com a infraestrutura, logística, ajudar com mídia, divulgação e contatos internacionais. Ao contrário da extrema-direita, que tenta colonizar o espaço sem escrúpulos, colocando suas faixas e gritos por cima das reivindicações da categoria, a esquerda precisa estar lá garantindo a autonomia da categoria, que não pode ser tratada como gado. O objetivo lá é questionar as pautas da redução de impostos e da intervenção militar, dialogando para mostrar que elas não vão resolver as necessidades da categoria e, nesse processo, desmascarar a extrema-direita e os patrões oportunistas.

3. Mais importante ainda do que estar lá é a esquerda se mobilizar em seus espaços de atuação, com solidariedade à greve, mas colocando a sua agenda política nesse momento de confusão nacional. Essa agenda mínima inclui a mudança da política de preços da Petrobrás; a defesa da Petrobrás pública e a serviço do povo; e o repúdio ao governo neoliberal de Temer, repúdio à repressão da luta e às saídas autoritárias representadas nos militares. Quem é trabalhador sindicalizado, precisa cobrar seus sindicatos imediatamente para entrar em solidariedade e puxar greves (nas escolas e universidades também). Mobilizações nos bairros e atos com as nossas pautas também são fundamentais e podem ser organizados através dos movimentos sociais e organizações de esquerda.

Quem não for pra disputa vai ver a história passando batida e ela dificilmente vai virar pro nosso lado sozinha.

Por JG.