Odebrecht no México – Demissões, cortes de água e vandalismo de Estado.

Em outubro de 2015, Odebrecht Ambiental, empresa de saneamento do grupo, anunciou que havia ganhado concessão plena (de água e esgoto) para atender duas cidades no estado de Vera Cruz, a cidade que recebe o mesmo nome do Estado com 600 mil habitantes e a cidade de e Medellín, com 100 mil habitantes.

O consorcio da Odebrecht com a empresa espanhola a Águas de Barcelona constituíram uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) onde a empresa brasileira abocanhou 80% da SPE e a espanhola 20% dos 80% destinados a iniciativa privada. Os 20% pertencem aos municípios de Vera Cruz (9%) e Medellín (9%), e 2% ficaram com a SAS, estatal que operava os dois sistemas. A empresa mista passou a se chamar Grupo Mas (Grupo Metropolitano de Água e Saneamento). (FONTE – ODEBRECHT).

13901775_1400237753325151_1796514184_oO processo de privatização da água e saneamento que contou com apoio do presidente Enrique Peña Nieto e do governador de Vera Cruz Javier Duarte, um ano depois gerou mais de 1300 desempregados e muitas lutas das comunidades afetadas pela falta de água, algumas delas, sem abastecimento a mais de 10 dias.

Segundo os trabalhadores demitidos o consorcio demite trabalhadores especializados para colocar no lugar, trabalhadores sem experiência, sem formação e com salários mais baixos e sem direitos trabalhistas. Além disso, muitos dos prefeitos e ex-prefeitos e diretores da SAS se beneficiaram de contratos fraudulentos com o consorcio para concorrer aos pleitos eleitorais.

As conseqüências da operação da empresa de Marcelo Odebrecht, preso na operação Lava Jato, não são restritas ao que lesa diretamente direito ao trabalho e a água da população afetada pela privatização. No inicio do mês funcionários da empresa brasileira danificaram deliberadamente as tubulações de abastecimentos escoltados por soldados mexicanos, em uma espécie de vandalismo de Estado contra as comunidades em nome da “ordem social”.

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Os protestos das comunidades afetadas pelos cortes no abastecimento seguem:

Por uma educação sem catracas! (replicação PinteLute)

Durante a última sexta e domingo, a convite de um grupo de alunas que apresentava seu trabalho da Feira de Ciências, pintamos na Escola Estadual Martins Veras. O tema foi proposto e debatido pelos próprios alunos\as e a partir disso foi criado um desenho que tematiza a questão do transporte coletivo e da educação. Mais um mural contra as catracas que nos privam do direito à cidade, do acesso a direitos básicos como a saúde e a educação!

Hoje (segunda), recebemos a notícia de que a escola quer cobrir o mural, transformá-lo na mesma parede vazia de antes, por conta do conteúdo transmitido. Deve-se lembrar que os esboços e o tema do mural foram apresentados para a escola, e que o mural foi feito com ajuda dos\as alunos\as e seus materiais, como do próprio coletivo, sem ajuda alguma da instituição!

Se por um lado ficamos tristes com a notícia, ao mesmo tempo nos alegramos, pois isso mostra quanto o mural político incomoda, amedronta, pois de alguma forma empodera e incentiva os\as alunos\as a lutarem por melhor condições de educação e transporte. E obviamente, essas idéias assustam algumas pessoas.

A Gerência da Educação do Estado de Santa Catarina há alguns meses atrás inclusive impediu a entrada de um dos integrantes do Coletivo Pinte e Lute, também militante do Movimento Passe Livre, por incentivar a organização estudantil dentro do colégio.

Agora o Pinte e Lute, junto com os\as alunos\as e grêmio estudantil, vamos lutar para que não cubram o mural!

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Matadeiro Livre!!!

Fonte: Núcleo Diretor do Pantano do Sul.
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A PRAIA DO MATADEIRO, ASSIM COMO OUTROS TANTOS LUGARES DE NOSSA ILHA, ESTÁ SOB A MIRA DE UM GRUPO QUE INTENCIONA CONSTRUIR UM RESORT NO LOCAL, E NAO BASTANDO ISSO, QUER TAMBÉM EXPULSAR A COMUNIDADE JÁ NELA CONSOLIDADA HÁ MAIS DE 30 ANOS, ALEGANDO SEREM ELES OS PROPRIETÁRIOS DA TERRA.

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OS MORADORES DO MATADEIRO TEM PRESERVADO E CUIDADO DA MATA ATLANTICA E NO PLANO DIRETOR A PMF RESERVOU A ÁREA COMO SENDO ÁREA DE PRESERVAÇAO CULTURAL (APC) COMO FORMA DE MANTER A COMUNIDADE ALI.

OS ESPECULADORES, POR OUTRO LADO, CONSEGUIRAM GARANTIR NO PLANO DIRETOR, UMA  ÁREA DE PRESERVAÇAO LIMITADA (APL- QUE PERMITE CONTRUÇOES  JUSTAMENTE, NUMA ÁREA DO TAMANHODO RESORT DESEJADO), ONDE ANTES ERA UMA APP (ÁREA DE PRESERVAÇAO PERMANENTE).

NO ENTANTO, NAO CONTENTES COM ISSO, ESTAO DETERMINADOS A RETIRAR OS MORADORES DA APC COM O INTUITO DE PRIVATIZAR A PAISAGEM.

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Ato e Seminário contra Criminalização do Movimentos Sociais – Floripa

A frente de luta contra a criminalização dos movimentos sociais de Santa Catarina chama a todos e todas para o segundo ato contra a criminalização. Vamos novamente para as ruas conversar com a população sobre a onda de criminalizações ao todos e todas que lutam por direitos no país da FIFA.

Terça-feira dia 3 de junho.
16:30 hs
TICEN

Na Sexta, 6 de junho das 14:00 as  20:00, Assembleia Legislativa acontece o Seminário.

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# Educação – Entrevista com professor Eduardo (replicação)

eduardo.perondi Texto de Elaine Tavares

Luta por escola mostra o autoritarismo do governo de Santa Catarina

Quatro professores da rede estadual estão afastados de suas funções de ensino, respondendo processo administrativo, pelo simples fato de que se colocaram junto à comunidade do sul da ilha, em Florianópolis, na defesa de uma escola capaz de abrigar alunos e professores com um mínimo de qualidade.  
 
A história começa na Escola João Gonçalves Pinheiro, que fica no bairro Rio Tavares, desde há muitos anos sucateada e em precárias condições.  Infiltrações, esgoto à céu aberto,  estrutura desmoronando, falta de espaço para novos alunos e consequente falta de vagas.  A situação gerou lutas na comunidade e o governo prometeu uma escola nova, que deveria ter sido concluída em 2010. Não foi. O prédio custou a subir e quando subiu veio com um problema adicional. A escola nova ficaria colada ao terminal de ônibus do Rio Tavares. É que quando o projeto foi criado ali não havia o terminal e ninguém poderia prever que as janelas das salas de aula ficariam voltadas para as plataformas.  Os argumentos foram levantados, mas ninguém foi ouvido. Não houve mudança no projeto e a escola começou a ser erguida conforme o projeto original. Tudo bem, esse seria um problema para ser pensado no futuro.
 
Mas, as coisas começaram a demorar. A obra seguia lentamente e nada de terminar. Por outro lado, o velho colégio  se deteriorava, a ponto de ser praticamente um perigo estar ali dentro. Pais, alunos e professores começaram a se mobilizar. Fizeram reuniões, manifestos, protestos, exigindo que o governo apressasse o andar das obras, visto que o tempo passava e nada de prédio novo. Passaram-se quatro ano anos e nada, No final de 2013, a movimentação voltou a crescer dentro da escola. Novas reuniões, assembleias, manifestos. Ou o governo terminava a escola ou as atividades na João Gonçalves Pinheiro iriam parar. 
 
Quando o ano letivo de 2014 começou a nova escola não estava pronta. Mais uma vez os pais e reuniram e decidiram que não enviariam os filhos para a escola velha. Ou o governo entregava o prédio, ou teria que arcar com o ônus de impedir  - por absoluta falta de condições – o ensino de mais de 600 crianças e adolescentes. Os professores da escola, que participaram de todo o processo, concordaram em acatar a decisão da comunidade que se fez representar maciçamente nas reuniões. E é aí nesse ponto que começa a ação autoritária do governo de Raimundo Colombo, bem como do Ministério Público.
 
Rebelião de pais e alunos
 
Com a decisão dos pais em não enviar os filhos para a escola o ano letivo não começou na Escola João Gonçalves Pinheiro, provocando a reação do governo. Mas, em vez de dar aos alunos e pais a segurança de um espaço capaz de viabilizar o ensino com qualidade, a Secretaria de Educação pediu a intervenção do Ministério Público. Esse, em vez de exigir do governo a escola – que já atrasava em quatro anos  - ameaçou os pais. Caso não enviassem os filhos para a escola, seriam processados. Não bastasse isso, o governo estadual decidiu destituir a direção da escola, que compartilhava da decisão dos pais, e nomeou dois interventores. 
 
Só esses fatos já seriam dignos de repúdio, uma vez que as famílias e os professores estavam querendo garantir o cumprimento da promessa feita pelo governo, bem como proteger os alunos. Mas as coisas ainda ficaram piores. Tão logo chegaram os interventores, eles decidiram por “cortar a cabeça” dos professores que seguiam denunciando o golpe dado na democracia escolar e comunitária. Assim, enquadraram quatro deles em um processo administrativo e proibiram os mesmos de darem aula até que o processo termine. “O que nós estávamos fazendo era dar consequência a uma decisão da comunidade. Não foi coisa da nossa cabeça. Os pais se reuniram várias vezes, discutiram muito. Teve assembleia com até 300 pais, foi muito representativo. Eles não queriam que os filhos seguissem em risco na escola velha. Essa decisão tinha de ser respeitada. Mas, o governo preferiu punir os professores que estavam apenas lutando por melhorias e por mais vagas. Um golpe na democracia”, argumenta o professor Eduardo Perondi, um dos processados. “Na verdade, eles quiseram desmobilizar as pessoas para que ninguém mais reclamasse  do autoritarismo instalado ali”. 
 
Só que, como sempre acontece, os poderosos negam, acusam, prendem, punem e, depois, acabam tendo de fazer exatamente aquilo que as pessoas em luta demandaram. E foi assim que, finalmente aconteceu a mudança para a nova escola, ainda que o prédio não esteja totalmente pronto. Por outro lado, seguem atuando os interventores e seguem processados os professores. A nova escola já apresenta suas debilidades. As salas de aula estão voltadas para o terminal de ônibus e os alunos enfrentam o barulho, a poluição e a falta de atenção. Eduardo acredita que esses problemas terão consequências no processo pedagógico, mas avalia que devem ser enfrentados no debate democrático, na parceria com os pais. A comunidade mostrou que está preocupada com o ensino dos filhos e é certo que continuarão a acompanhar. A escola nova, por si só, não garante o bom ensino. E, essa, em particular, tem sido um bom exemplo para mostrar como atua o poder instituído, como a comunidade não é respeitada nas suas decisões. De certa forma, é pedagógico. 
 
Os professores, processados por lutarem pelo direitos dos alunos esperam que a comunidade esteja junto no acompanhamento do processo e que, igualmente, não aceite esse ato arbitrário e fora de propósito.  Justamente no ano em que se lembra os 50 anos do início do tenebroso período do regime militar, marcado pelo autoritarismo, violência e completa falta de democracia, é quase um despropósito que esses educadores sejam afastados de suas atividades justamente por acompanharem uma decisão democrática dos pais dos alunos. 
 

E essas são as histórias que se escondem atrás dos muros das escolas estaduais, sem que a imprensa comercial divulgue uma linha. Basta que a comunidade se levante em luta, que professores se aliem aos desejos de pais e alunos por uma escola digna, que lá vem o estado, aplastando tudo. A educação segue sendo um privilégio de poucos… Aos empobrecidos, sobram as migalhas, a violência, o autoritarismo e abafamento das ilusões.
Fonte: http://eteia.blogspot.com.br/2014/05/luta-por-escola-mostra-o-autoritarismo.html