Descolando Velcro – Uma semana de atividades de Resistência no Mês da Visibilidade Lésbica

Sejam todes bem vindes ao “DESCOLANDO VELCRO: Resistência no Mês da Visibilidade Lésbica”.

Dia 1 (TERÇA-FEIRA) 29/08/2017:

· Passeata Pela Visibilidade e Contra a Lesbofobia
Horário: A partir das 11h
Ponto de Encontro: Praça da Reitoria I

· Mesa de Debates Sobre Resistência e Visibilidade Lésbica
Horário: Das 19h às 22h
Local: Auditório do Centro de Ciências da Saúde – CCS/UFSC

PROGRAMAÇÃO da Mesa de Debates:
19h00 – Abertura

Sapatão: Desobedecendo à Norma.
Ministrante: Ca Butiá

A hetero-cis-norma da/na medicina: (re)pe(n)sado os corpos, as práticas e o (auto)cuidado à saúde
Ministrante: Ana/Alejandro Mujica

Sapatravestilidades: Corpos e Afetos Possíveis
Ministrante: Raíssa Éris Grimm

Maternidade Lésbica
Ministrante: Ana Amorim

Debatedora: Miriam Pillar Grossi

Este debate também possui o propósito de elaborar e aprovar uma Carta endereçada à Associação de Ginecologia e Obstetrícia de Santa Catarina (SOGISC), com vistas da visibilidade lésbica no atendimento à saúde.

Dia 2 (QUARTA-FEIRA): 30/08/2017

· Piquenique/ Isoporzinho Sapatão
Tragam suas comidinnhas, seu isoporzinho, seus afetos e vivências para compartilharmos.
Horário: Das 10h às 13h30
Local: Praça da Reitoria I

· Oficina de Reparos e Reformas para a Autonomia da Mulher
Horário: Das 13h30 às 15h
Local: Praça da Reitoria I
Ministrada por Kika Santos, com a colaboração de mulheres que também queiram trocar experiências e transmitir conhecimentos em reparos domésticos como: troca de resistência de chuveiro, circuitos e instalações elétricas, marcenaria básica, parafusadeira, serras, e outros.

· Oficina de Auto Defesa para Mulheres
Horário: Das 16h às 18h
Local: Hall da Reitoria
Ministrada por Fernanda Tourinho, com a colaboração de mulheres que também queiram trocar experiências e transmitir conhecimento em auto-defesa. (vir com roupa para exercício físico)

Quando as mulheres pararam de programar?

original em inglês
21 de outubro de 2014

 

A ciência da computação moderna é dominada por homens. Mas nem sempre foi assim.

Muitos dos pioneiros da computação – pessoas que programavam nos primeiros computadores digitais – foram mulheres. E por décadas, o número de mulheres que estavam na ciência da computação cresceu mais rápido do que o número de homens. Porém, em 1984, algo mudou. A porcentagem de mulheres nas ciências da computação estagnou e, em seguida, despencou, mesmo que a parcela de mulheres em outros campos técnicos e profissionais tenham continuado a subir.

 

O que aconteceu?

Passamos as últimas semanas tentando responder a essa questão e não encontramos uma resposta simples e clara.

Mas aqui está um bom ponto de partida. A parcela de mulheres nas ciências da computação começou a cair, grosso modo, ao mesmo tempo que os computadores pessoais começaram a aparecer em grandes quantidades nos lares dos Estados Unidos.

Esses primeiros computadores pessoais não eram muito mais do que brinquedos. Era possível jogar pong ou jogos simples de tiro, ou quem sabe processar textos. E esses brinquedos foram vendidos visando totalmente um mercado masculino.

A ideia de que computadores são para meninos tornou-se uma narrativa. Ela virou a história que contamos a nós mesmos sobre a revolução da computação. E ajudou a definir quem eram os geeks e criou a cultura techie.

Filmes como Wierd Science, Revenge of the Nerds e War Games vieram todos nos anos 1980. E o resumo de seus enredos são quase intercambiáveis: um garoto geek esquisito e gênio usa suas super habilidades técnicas para vencer as adversidades e ganhar a garota.

Nos anos 1990, a pesquisadora Jane Margolis entrevistou centenas de estudantes da ciência da computação na Universidade Carniege Mellon, a qual tinha um dos melhores programas de estudo dos EUA. Ela descobriu que as famílias eram muito mais propensas a comprar computadores para os garotos do que para as garotas – mesmo que elas tivessem um forte interesse em computadores.

Quando essas crianças foram para a universidade, isso foi crucial. À medida que os computadores pessoais se tornavam mais comuns, os professores de ciência da computação passaram cada vez mais a assumir que seus estudantes haviam crescido brincando com computadores em casa.

Patricia Ordóñez não tinha um computador em casa, mas ela era muito boa em matemática na escola.

“Minha professora percebeu que eu era muito boa em resolver problemas, então ela pegou eu e outro menino e nos ensinou matemática especial”, disse. “Estudávamos matemática ao invés de ir para o recreio!”.

Então, quando Ordóñez foi para a Universidade Johns Hopkins nos anos 1980, ela descobriu que estudaria ou ciência da computação ou engenharia elétrica. Assim, ela foi à sua primeira aula introdutória e descobriu que a maioria dos seus colegas masculinos estavam muito à frente dela porque haviam crescido brincando com computadores.

“Lembro-me de uma vez em que fiz uma pergunta e o professor parou, me olhou e disse ‘você já deveria saber disso a essa altura’”, lembra. “E então pensei que nunca conseguiria passar”.

Nos anos 1970, isso nunca teria acontecido. Os professores de aulas introdutórias assumiriam que seus estudantes não tinham nenhuma experiência. Mas nos anos 1980, o cenário havia mudado.

Ordóñez fez a matéria mas tirou o primeiro C da sua vida. Ela então desistiu do programa e se formou em línguas estrangeiras. Mais de uma década depois, voltou aos computadores. Encontrou um mentor e então conseguiu seu Ph.D. em ciência da computação. Agora ela é professora assistente dessa disciplina na Universidade de Porto Rico.

A Marcha Mundos de Mulheres por Direitos, que vai acontecer no dia 2 de agosto de 2017, em Florianópolis

Marcha Mundos de Mulheres por Direitos é o momento mais esperado do 13º
Mundos de Mulheres e Fazendo Gênero 11

A Marcha Mundos de Mulheres por Direitos, que vai acontecer no dia 2 de
agosto de 2017, em Florianópolis/SC, é dos momentos mais esperados da
edição brasileira do Congresso Mundos de Mulheres, que ocorre juntamente
com o Seminário Internacional Fazendo Gênero 11, na Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC). Com concentração às 16 horas no Terminal Integrado
do Centro (TICEN), a organização prevê que mais de 8 mil pessoas do mundo
todo participem da manifestação.

Há algumas semanas, diversos movimentos sociais do Brasil e de várias
partes do mundo constroem coletivamente esse momento. Os preparativos,
durante o 13º MM/FG 11, ocorrem na Tenda Mundos de Mulheres, que está
localizada na Praça da Cidadania, na UFSC, em frente ao prédio da Reitoria.

De acordo com a coordenadora da Comissão de Movimentos Sociais do 13º MM/FG
11, Vera Gasparetto, integrantes de vários movimentos e coletivos estão
trabalhando dia e noite para a construção da Marcha e, também, da Carta
Mundos de Mulheres, que será um documento oficial construído pelos
movimentos presentes no evento.

A manifestação pretende ser um espaço de luta que integre experiências e
reivindicações de pessoas do mundo todo: mulheres negras, indígenas,
quilombolas, agricultoras, residentes do campo e da cidade, trabalhadoras
do sexo, pessoas trans e não-binárias, mulheres lésbicas, bissexuais,
estudantes, trabalhadoras informais, imigrantes, acadêmicas, de várias
partes do mundo. Para representar essa luta conjunta, um manifesto foi
escrito coletivamente e será lançado e aprovado pelas pessoas presentes na
Marcha.

Transporte da UFSC para o TICEN (Centro)

A prefeitura de Florianópolis informou que deve colocar alguns ônibus
extras na tarde desta quarta, para atender à demanda das pessoas que irão
para a Marcha Mundos de Mulheres por Direitos. As linhas que fazem o
trajeto UFSC-TICEN são: UFSC Semidireto (saída do ponto da Biblioteca
Universitária) e Volta ao Morro Carvoeira e Pantanal (que saem dos pontos
dos entornos da UFSC, referentes aos dois bairros).

Tendas Mundos de Mulheres e Feminista e Solidária

Durante todo o evento, ocorre uma ampla programação na Tenda Mundos de
Mulheres, que é o espaço central dos movimentos de mulheres e feministas.
Confira, clicando aqui
<http://www.wwc2017.eventos.dype.com.br/download/download?ID_DOWNLOAD=63>. Além
desta, a Tenda Feminista e Solidária também recebe movimentos sociais com a
comercialização solidária de seus produtos.

Serviço:

O quê: Marcha Mundos de Mulheres por Direitos
Quando: 02 de agosto de 2017 às 16h

Onde: TICEN – concentração
Página no Facebook: https://www.facebook.com/events/1942552779313733/
Organização coletiva do 13º Congresso Mundos de Mulheres e Seminário
Internacional Fazendo Gênero 11 com diversos coletivos e movimentos sociais
Site do evento: http://www.wwc2017.eventos.dype.com.br/site/capa
E-mail da Assessoria de Comunicação: comunicacao.wwc2017@gmail.com

[Catarinas] Um dos maiores eventos feministas do mundo vai reunir 8 mil em Florianópolis

“Pela primeira vez, o Congresso Mundos de Mulheres (MM) será realizado na América do Sul. Integrada ao 11º Seminário Internacional Fazendo Gênero (FG), a 13ª edição acontece de 30 de julho e 4 de agosto, em várias partes do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Mais de 8 mil mulheres de todos os continentes estão inscritas. Fóruns, conferências, minicursos, apresentações artísticas e marcha compõem a programação que deve movimentar a cidade nesses seis dias. Um aplicativo está sendo desenvolvido especialmente para dar mais dinamismo às informações e facilitar o contato entre participantes. A tecnologia será acessível também para cegos.”

Mais em: http://catarinas.info/um-dos-maiores-eventos-feministas-do-mundo-vai-reunir-8-mil-em-florianopolis/

[livro] Ciberfeminismo: tecnologia e empoderamento

Segue abaixo a descrição do projeto para financiamento coletivo (já encerrado). O livro ainda não saiu, mas assim que tivermos acesso, subiremos o pdf!


Desde que deixou os laboratórios das universidades e outros centros de pesquisa e tecnologia – tradicionalmente ocupados por homens cis, brancos, hetero, e membros da elite econômica –, a Internet se constrói como um local que, ao mesmo tempo, abriga (re)produção de discursos misóginos e tem o potencial de ser uma ferramenta poderosa para o enfrentamento daqueles mesmos discursos.

A coletânea que apresentamos agora começou a tomar forma em 2015, quando a Editora Monstro dos Mares realizou uma chamada pública de artigos sobre o ciberfeminismo. Os textos recebidos foram selecionados e organizados em um panorama que mostra alguns desdobramentos da militância feminista no ciberespaço, que o compreendem como zona fértil para a proliferação do poder feminino através da apropriação dos meios tecnológicos e sua transformação em ferramentas de luta.

Autoras:

<Claire L. Evans>
<Talita Santos Barbosa>
<Tatiana Wells>
<Jarid Arraes>
<Fhaêsa Nielsen>
<Caroline Franck + Cássia Rodrigues Gonçalves + Êmili Leite Peruzzo>
<Izabela Paiva>
<Graziela Natasha Massonetto>
<Priscila Bellini>
<Soraya Roberta, [S. R.]>

Organização:

<Claudia Mayer>

Apps de Encontros: Vazando nossos dados íntimos e mediando nossas interações mais pessoais

Aplicativos de encontros vem crescendo de forma rápida e transformando como muitas pessoas se relacionam afetivamente. O Tinder, aplicativo lançado em 2012, é líder mundial e já em 2015 tinha 24 milhões de usuários cadastrados. Em número de usuários, o Brasil está na terceira colocação no ranking mundial. Concorrendo com o Tinder, existem muitos outros apps desenvolvidos para demografias específicas: Grindr com foco na comunidade gay masculina, Her e Wapa para a comunidade lésbica e Casualx, para quem busca sexo casual.

Alguns problemas são visíveis em cada um desses aplicativos. Como se tratam de softwares com fins lucrativos e de código fechado, não temos acesso ou controle sobre como seus algorítimos funcionam, nos classificam e o que fazem com nossos dados íntimos. Acabamos nos submetendo a divisões arbitrárias – como quem possui uma conta grátis e quem é usuário premium – e ampliamos a superficialidade de nossas relações, pondo uma tecnologia privada sob a qual não temos qualquer controle para mediar ainda mais uma de nossas interações com outros seres humanos.

Um novo artigo da Coding Rights, aponta que a forma como essas empresas manejam nossos dados não têm sido a mais ética, e viola até mesmo seus próprios termos de privacidade. Denúncias de vulnerabilidades, repasse de dados privados para outras empresas e vazamento de informações têm deixado usuárixs com ainda menos controle de sua privacidade e quais dados desejam compartilhar.

Leia o artigo completo aqui: https://chupadados.codingrights.org/suruba-de-dados/

Quando feministas são usadas pelas tecnologias patriarcais

O texto que segue foi extraído da cartilha Reação Patriarcal contra a Vida das Mulheres – debates feministas sobre conservadorismo, corpo e trabalho.

Título e comentário inicial de furi@:

Vamos falar sobre uso das redes sociais, intolerância e apropriação dos nossos movimentos pelo Patriarcado Capitalista? Quando deixamos de usar as tecnologias com inteligência e senso crítico, e passamos a ser usadas por essas empresas e manipuladas por seus algorítimos que incitam a violência online e a fragmentação dos movimentos, criando inclusive ambientes políticos tóxicos e agressivos? Vejam este trecho da cartilha da SOF que fala sobre Conservadorismo e Backlash Patriarcal:


A Tecnologia não é neutra

Na América Latina, o uso das redes sociais e das novas tecnologias cresce muito mais rápido do que a justiça e a igualdade.
Esse uso é permeado, portanto, pelas dinâmicas de desigualdade e exclusão. Os sites, aplicativos, redes sociais e plataformas funcionam por meio de algoritmos, programados para processar uma quantidade muito grande de informações que cedemos quando utilizamos a internet. O algoritmo é uma sequência definida de instruções e procedimentos que devem ser seguidos para executar tarefas e solucionar problemas nos programas de computadores e celulares. É como a construção de um prédio, onde são definidos os passos que devem necessariamente ser seguidos para chegar ao resultado definido.

Os algoritmos programados pelos funcionários das grandes empresas correspondem aos interesses particulares
delas e reproduzem uma série de estereótipos e preconceitos.

O problema não é a tecnologia em si. Se usada para atender o interesse coletivo, a tecnologia facilita o trabalho e
aproxima pessoas. Mas essas empresas direcionam a tecnologia para servir aos modelos capitalistas de negócios, que tratam a nossa vida como mais uma mercadoria para aumentar seu lucro. Desta maneira, reproduzem e aprofundam as desigualdades da sociedade capitalista, racista e patriarcal.

Pelo menos quatro problemas muito graves estão relacionados a isso:

Cada vez mais, as cidades, as casas e espaços em geral possuem câmaras de vigilância em nome da garantia da segurança. A tecnologia destas câmaras são propriedade de empresas privadas que, em alguns casos, atuam em parceria com o poder público. Com isso, as empresas têm uma alta capacidade de coletar informações sobre a vida das pessoas, seus deslocamentos e companhias, suas atividades privadas, públicas e políticas. São várias as denúncias do racismo que orientam os algoritmos programados para alertar quando existe a presença de pessoas ou atividades “suspeitas”. Quem definiu o que é uma atividade suspeita? Ou como se parece uma pessoa suspeita?

O fato de que nossos dados estão todos armazenados por empresas privadas e governos faz com que hoje se configure um processo de vigilância em massa. Se, antes, era necessário um aparato muito caro para espionar a conduta de cidadãos, hoje basta ter um celular no bolso para que sejam gravados os áudios e imagens da nossa vida cotidiana. Isso é útil não apenas para a publicidade, mas para a criminalização dos movimentos sociais e de qualquer pessoa cuja conduta seja desviar das leis, por mais injustas que algumas leis possam ser.

No caso das redes sociais, os algoritmos também escolhem os assuntos e pessoas que mais aparecem para cada usuário, filtrando conteúdos de acesso de acordo com cada comportamento na internet. Por exemplo, se curtimos, compartilhamos e comentamos as postagens de determinadas pessoas, provavelmente elas e pessoas parecidas a elas irão aparecer com mais frequência na nossa linha do tempo. Quando olhamos análises das redes sociais sobre temas da política atual, vemos que, ao invés do debate e da troca de informações, existem bolhas que não dialogam entre si. Desta maneira, as pessoas vão convivendo cada vez mais com gente muito parecida com elas. Não por acaso, temos visto tanta dificuldade e agressividade de lidar com as diferenças e com as divergências políticas. Cresce a banalização do ódio e a falta de capacidade para o diálogo, que é um pressuposto da vida na democracia. Torna-se comum a ideia de banir quem tiver outra opinião, outra forma de viver a sexualidade, outra classe ou outra cor. E assim vai se tecendo uma lógica de autoritarismo e intolerância muito perigosa, que prepara culturalmente as pessoas para encararem o fascismo com naturalidade.

Os algoritmos das redes sociais censuram alguns conteúdos e permitem outros. Quem decide isso? Lembramos, de novo, de casos recentes, em que as fotos de mulheres onde apareciam seios – seja quando fosse parte da cultura indígena, ou quando retratasse mulheres amamentando – foram retiradas automaticamente do Facebook. Por outro lado, os perfis, grupos e comunidades que incitam o ódio e a violência contra as mulheres sempre são denunciados por muita gente, muitas vezes, e mesmo assim continuam no ar. Os algoritmos patriarcais e racistas acham que o corpo das mulheres é um problema – quando não é usado em propagandas – e são coniventes com a violência contra as mulheres.

Aplicativos que transformam nossas vidas em lucro

Precisamos estar alertas. Hoje vemos, por exemplo, vários grupos de mulheres nas redes sociais trocando experiências para parar de tomar hormônios contraceptivos. Isso é positivo, considerando que, desde cedo e para qualquer coisa, nos receitam pílulas para a pele, para os pelos, para não engravidar. Interromper o uso da pílula, em muitos casos, significa não aceitar as imposições da indústria farmacêutica e do poder médico. E recuperar, no caso das mulheres heterossexuais, que a responsabilidade com a contracepção deve ser das duas pessoas envolvidas na relação sexual. Contudo, alguns aplicativos foram programados com a intenção explícita de reunir dados sobre a saúde das mulheres para entregá-los ao mercado. Isso demonstra que as tecnologias não são neutras e que algumas questões levantadas pelo feminismo são incorporadas para que as empresas tenham ainda mais lucros.

Um estudo do grupo Coding Rights analisou alguns aplicativos relacionados aos ciclos menstruais, que são usados por milhões de mulheres – em sua maioria adolescentes e jovens. Os aplicativos, como o Glow, usam a necessidade de autoconhecimento do corpo, defendida pelas feministas, para que as mulheres disponibilizem informações sobre seu cotidiano, seus sentimentos, hábitos alimentares e sexuais. Os incômodos com a menstruação e as vivências, desejos e práticas das mulheres são transformados em informações quantificáveis, que poderão servir para que as transnacionais farmacêuticas vendam mais medicamentos.

Esse estudo aborda muitas questões que são caras para essa nossa discussão desde uma perspectiva feminista. Somos nós quem produzimos as informações que se tornam valor quando apropriadas pelas empresas, seja nas redes sociais, nos aplicativos sobre menstruação ou naqueles que contam nossos passos e calorias. Esse é um tempo da nossa vida que é apropriado, como mais uma forma de trabalho não remunerado.

A nossa vida e o nosso comportamento são as mercadorias. As empresas donas dos aplicativos podem guardar nossos dados e usar conforme seja de seu interesse. Viramos números, fonte de lucro e propriedades das empresas, mas tudo isso acontece legitimado com um discurso de que podemos escolher e de que isso faz parte da nossa liberdade.”

Tomada da Alfândega [28/03]

TOMADA // MULHERES DE LUTA

sf (part fem de tomar) 1 Ato ou efeito de tomar. 2 Ato ou efeito de se apoderar de (cidade, fortaleza, navio, praça etc.) 3. Conquista.

Água vulva
alguma coisa gosmenta me habita
vontade uterina do mundo
Escorre
gosto de estar deitada a olhar minhas pernas e os pelos da virilha. Me lembram: sou mulher
por Helen Ábramo

Mulheres que lutam, mulheres de luta!
Esse é o tema de mais uma TOMADA do espaço público, uma programação multi para mulheres que são muitas, de muitas cores, caras, jeitos, corpos, peitos e paus.

_____________ PROGRAMAÇÃO

~ 17h-20h ~ Anti-loja de roupas : preço livre

~ 18h-20h ~ Jam Palco Aberto: instrumentos e microfone abertos para intervenções e alucinações político-sonoras [some com os teus, as tuas, traz o chocalinho]

~ 18h30-21h ~ Operação Resgate: rango de alimentos reciclados : preço livre

~ 20h-22h ~ CineMeioFio: com os curtas-doc “A vida que não cabe”, de Baruc Carvalho Martins; “Antonieta”, de Flávia Person e “Mulheres da Terra”, de Marcia Paraiso +
Roda de conversa ‘Mulheres no mercado de trabalho’ com mediação de Gabi Zabeu (Ocupa Obarco)

~ 22h-00h ~ Roda de coco ( Roda de coco na ilha do desterro)

_____________ LOCAL
Largo da Alfândega – Centro

_____________ QUEM CHAMA?
~ Ocupa Obarco
Ocupar e compartir! Obarco navega na cidade, propondo ocupações criativas de espaços e de recursos ociosos. Abandonos redistribuídos viram abundância.
~ ETC
O ETC usa ações diretas – em choque com as normas vigentes – para interferir no fluxo cotidiano. O grupo inquieta-se por provocar gradativos ruídos na frequência contínua que visa domesticar e despolitizar a relação entre corpo e cidade.

xxxx Evento com fins anti-lucrativos organizado de forma independente através de autogestão.

Tomar nosso espaço, retomar direitos, transformar tudo!

Quatro mulheres

Anita nasceu na serra no final dos anos 20, descendente de imigrantes Italianos trabalhava desde criança na venda ou no campo. Como oficio aprendeu a costura, como arte o crochê. Já “velha” para casar, conheceu um homem que por ela se apaixonou. Casamento? foi firme: só quando terminasse o curso de costura. Teve cinco filhos, que criou com disciplina e uma certa dureza. Teve salão de baile, cozinhou e costurou muito. Perdeu um filho muito jovem num acidente, e o companheiro, de melancolia, poucos anos depois. Ajudou a criar os netos, fez crochê para toda a família, cuidava da sua casa com orgulho. Viveu longos anos, sempre carregando no semblante um olhar altivo. Morreu com Alzheimer. Poucos dias antes de morrer, em um lapso de lucidez, disse ao neto mais novo “Lembra sempre de mim”.

Cora é filha de Anita. Seguiu o caminho dos estudos, com apoio de seu pai que lia muito e que acreditava em um mundo mais igualitário. Trabalhou na venda de um tio, onde aprendeu finanças. Se tornou Professora, acreditava que o conhecimento podia mudar o mundo. Viajou para longe, onde trabalhou em projetos sociais nos rincões do país. Se mudou para uma pequena cidade do interior e por lá montou um Jornal e uma Gráfica com os irmãos. Se apaixonou, mas não teve filhos. Perdeu seu grande amor em um acidente. Se formou em Jornalismo muitos anos depois de já exercer a profissão. Participa de um grupo de mulheres lideres e tem como legado o Jornal que criou, referência para a região e influência para as mulheres da família que decidiram seguir o rumo da tia.

Rosa é irmã de Cora. Saiu de casa com 12 anos e foi trabalhar na casa de um médico como babá da família. Sonhava em ser médica pediatra. Foi para a capital trabalhar na maternidade como recepcionista, para pagar o cursinho. Não passou no vestibular, mas descobriu que seu talento estava nas vendas. Vendia enciclopédias e revistas. Vendia tanto que ganhou um prêmio de melhor vendedora do país da editora para qual trabalhava. Se apaixonou e vivia uma vida nômade com seu companheiro. Gostava de independência e de praia. Teve um único filho. Montou uma empresa. Foi a primeira mulher a correr de carro no autódromo internacional da cidade. Tinha uma postura dura, as vezes até autoritária. Tinha que ser forte num mundo feito para homens, não podia demonstrar fragilidade, tanto é que todos a chamam de “Dona”. Criou seu filho com muito amor, mesmo com o pouco tempo que lhe sobrava. Se separou. Vive sozinha e mantém a empresa até hoje.

Ada era a única filha numa família de dois irmãos mais novos. Gostava de estudar e se interessava por informática. Quando criança, ganhou um computador de presente do seu pai. Trabalhou no comércio com 16 anos, queria independência e fazer faculdade de computação. Fez curso técnico em informática, onde ganhou a placa de melhor aluna. Queria trabalhar como programadora, mas todas as vagas de emprego diziam “somente homens”. Não tinha tempo para trabalhar e estudar, e deixou de lado a faculdade por um tempo. Trabalhou em uma empresa na área de suporte, onde se tornou gerente. Começou a fazer faculdade e comprou um apartamento próprio. Foi morar com o companheiro e nunca morou no apartamento que comprou. Queria ser programadora, largou o cargo de gerente para estagiar. Estagiou e se tornou uma programadora. Aprendeu a dirigir, algo que tinha muito medo, nutrido por muitos homens que a desestimulam. Depois que aprendeu, ensinou sua tia a dirigir. Era uma referência para a família. Se separou. Viajou de férias. Voltou e morreu meses depois num acidente de carro, muito jovem e talvez no melhor momento de sua vida.

Histórias de mulheres brasileiras e  “comuns”, que como tantas mulheres vivem e resistem em um mundo ainda tão desigual. Um mundo onde ainda é necessário um Dia Internacional da Mulher.